quinta-feira, 4 de setembro de 2014

PITADINHA BRASILEIRA >> Mariana Scherma

Esta semana a Globo anunciou que passaria Dirty Dancing – O Ritmo Quente na sessão da tarde e eu ri sozinha, como sempre rio dos complementos brasileiros a filmes ou séries gringos, ou mesmo das traduções literais, que passam a impressão de ter mudado o roteiro totalmente. Deve ser uma profissão no mínimo interessante traduzir ou criar esses complementos. Eu sempre quis conhecer alguém que fizesse isso pra ganhar seus trocados, só pra deixar meu currículo, vai que... Imagino uma reunião de pauta entre esses profissionais questionando:

– Como vamos deixar isso um pouco mais brega?
– Hmmm, acrescenta amor. Amor dá ibope!

Que as distribuidoras de filmes têm uma preferência pelas traduções açucaradas, nível alerta de diabetes, é fato. Não existe outro motivo pra Up In The Air, aquele filme ótimo com o George Clooney, ter se transformado em Amor Sem Escalas. Só pela tradução você imagina uma comédia romântica superlotada de comissárias de bordo e pilotos bonitões. Nada a ver. Tem tudo, menos amor nesse filme. Ou a comédia Don John, como Joseph Gordon-Levitt e Scalertt Johansson, acabar em Como Não Perder Essa Mulher. Glicose pura, wow!

Mas acho que hoje eu até entendo as distribuidoras. Falta mesmo um pouco de paixão, açúcar, piada bobinha e calda de caramelo na nossa vida. Que venha então nesses títulos pra ver se a gente se inspira. Exemplo? Shane é o título original de Os Brutos Também Amam. Quer coisa mais inspiradora do que saber que, sim, até um cowboy duro na queda pode ficar todo derretido por alguém? Que fofo! Agora, se a pegada é bom humor, a série Beverly Hills 90210 ter se transformado em Barrados No Baile é prova cabal de que algum tradutor adora fazer a piada do pavê no Natal. Se eu fosse ver a série só pelo título em português, imaginaria um grupo de gente que não conseguiu convite pra alguma balada, tentou entrar de bicão, mas ficou na porta. Nada a ver outra vez.

Antes, eu ficava indignada com as traduções. Achava que os tradutores nos chamavam de burro na cara. Desencanei dessa fase e virei uma apreciadora desses títulos tão peculiares. É como se a gente desse nosso toque brasileiro às produções gringas. Acho o máximo The Fresh Prince Of Bel-Air ter virado Um Maluco No Pedaço, acho justo The O.C. se chamar The O.C. – Um Estranho No Paraíso. É mais ou menos como a gente acrescentar uma pitada de leite condensado, tão nosso, às sobremesas que vem de fora. Mas nenhum desses títulos ocupa um espaço maior no meu coração que Alf, o ETeimoso. Um beijo sabor brigadeiro pra quem colocou o "eimoso" depois do ET.



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3 comentários:

Ricardo Pessanha disse...

Só para livrar um pouco a cara dos tradutores, entre os quais me incluo, gostaria de informar que quem escolhe os títulos é o pessoal do marketing, entre os quais também me incluo, e isso que não livra a cara de ninguém.

Anônimo disse...

Sinceramente eu prefiro qualquer nome em portugues do que ter que engolir esses nomes em ingles. Se no cotiiando o brasileiro criasse do mesmo jeito, como: Cup cake, viras um copinho de bolo e Bulling bulinar seria bem melhor.

Eduardo Loureiro Jr. disse...

A crônica que eu já pensei muitas vezes em escrever. Agora me desobriguei. Grato, Mariana. :)