Pular para o conteúdo principal

VOCÊ TEM DIREITO A TRÊS PEDIDOS >> Clara Braga

Saber pedir é uma arte. Me lembro de quando era menor e assisti a um episódio de um desses seriados que tinham na época, acho que era Blossom ou Clarissa ou algo do tipo, não me lembro bem. Em um dos episódios, uma fada madrinha aparecia e dizia para a protagonista que ela tinha direito a fazer os famosos três pedidos. A menina ficava confusa e pedia algumas coisas que a fada não considerava muito importantes, então, a criticava e dizia que sentia falta das pessoas que sabiam pedir, como uma menina que seu primeiro pedido foi poder fazer mais mil pedidos.

Eu não acredito em fadas madrinhas nem em gênios da lâmpada, mas atire a primeira pedra quem nunca quis poder fazer os tais três pedidos. Apesar de não acreditar nessas coisas, eu acredito que quando a gente quer algo de verdade e realmente pede que esse algo aconteça, a gente manda algum tipo de energia pro universo e de alguma forma existe chance daquele algo acontecer, desde que a gente acredite que pode acontecer. Deu para entender mais ou menos ou é muita loucura da minha cabeça?

Bom, por mais besteira que possa parecer, eu realmente acredito nisso e tomo muito cuidado com as coisas que eu peço, pra não acabar jogando energia negativa por ai, sei lá, por exemplo, eu não desejo que ninguém fique doente nem que morra, a pessoa não vai morrer só porque eu desejei, mas a energia que eu estou passando com certeza não é boa nem para ela e muito menos para mim.

O problema é que normalmente a gente só percebe que pediu errado depois que o pedido já foi atendido. Há pouco tempo, se eu tivesse a chance de fazer três pedidos o primeiro seria poder fazer mais mil, assim como eu aprendi no seriado, e o segundo seria para que surgissem coisas mais interessantes para fazer aqui em Brasília, que a programação cultural melhorasse e que fosse possível trazer para cá os grandes shows que eu morro de vontade de ver mas que só vão para São Paulo e Rio de Janeiro.

Eu já quis tanto isso que nesse mês estamos tendo aqui o cena contemporânea, que é um festival de teatro muito bom, o porão do rock, festival de bandas de rock e o cirque du soleil. Mês que vem tem o show da Beyonce e no outro tem o show do Aerosmith com abertura do Whitesnake. Vai dizer que meu pedido não está sendo atendido? Com certeza está, o problema é que antes de pedir para que tivesse muitas coisas interessantes para fazer aqui eu devia ter pedido para eu arrumar um emprego que me pagasse bem, porque com salário de estagiária está difícil conciliar a programação com o bolso!

Comentários

Adorei! 3 pedidos são sempre bem vindos, mas concordo que dinheiro é um pedido obrigatório, porque senão complica a realização dos outros!

Abraços, Isabela.
www.universodosleitores.com
Conceicao Belo disse…
Adorei Clarinha.
Bjs
Ceiça

Postagens mais visitadas deste blog

MÃE – A MINHA, A SUA, TODAS
[Debora Bottcher]

Pessoalmente, não gosto de escrever sobre ‘datas especiais’ porque sempre me pergunto quem foi que inventou esses ‘dias de’ e baseado em que. É que apesar de eventuais evidências, eu me recuso a crer que essa ‘mágica’ idéia resiste ao tempo, à modernidade, às novas gerações, fincada apenas no foco de atiçar as vendas do quase-sempre-em-crise mercado comercial – digo ‘quase’ porque todas as vezes que vou ao shopping, em qualquer dia da semana, assombro-me com o movimento constante. Daí não tenho certeza de entender bem a base dos números e imagino sempre que é porque as estimativas são ousadas e otimistas demais, muito acima do poder aquisitivo da população média.
Seja como for, se me proponho a abordar o tema do momento – o ‘Dia das Mães’ - prefiro direcioná-lo à figura materna diretamente, para quem, certamente, tal dia é apenas uma vírgula no traçado de sua (árdua) trajetória. Não sou Mãe – que fique claro; portanto, para dedilhar (vagamente) sobre elas, vou me basear na minha, nas m…

EU ESTOU BEM >> Sergio Geia

Digamos que foi um susto. No último dia 11, eu voltava de Jacareí sentido Taubaté, seguia o fluxo normalmente quando no km 156 da Via Dutra, bem em frente ao posto de guarda, em São José dos Campos, os carros à minha frente — como em Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva —, simplesmente congelaram. De 80 km, naquele trecho, para zero, em fração de segundo. Não tive tempo de rezar (ah, como eu queria!), nem sequer olhar pelo retrovisor, descobrir se havia ou não uma carreta atrás de mim. Quando a ficha caiu, pisei fundo no freio, consegui não atingir o veículo à minha frente, mas, também, só por outra fração de segundo. De repente, uma sensação esquisita: eu senti a estocada, os objetos que estavam em cima do banco do carona voaram, logo meu veículo era arrastado até atingir o da frente.

Desci. Os motoristas dos outros quatro carros desceram, todos confusos, querendo entender. Os três primeiros carros, incluindo o meu, pequenos danos materiais, levíssimos diante do susto. O penúltimo e o …

À DISTÂNCIA (Paula Pimenta)

E se quiser recordar daquele nosso namoro
Quando eu ia viajar você caía no choro Eu chorando pela estrada Mas o que eu posso fazer Trabalhar é minha sina Eu gosto mesmo é d'ocê...
(Vital Farias)

Quem nunca namorou de longe, não vai conseguir entender metade do que eu vou escrever nessa crônica, porque só quem já passou por essa experiência sabe o quanto ela é difícil. Mesmo assim vou tentar explicar, para todas as vezes que vocês se depararem com alguém reclamando da ausência do namorado, não começarem com as manjadas frases que não fazem nada pela pessoa solitária: “Ah, mas pelo menos quando vocês se encontram tudo é festa, nem tem tempo pra brigar.” Ou: “O tempo está passando rapidinho, logo o próximo feriado chega.” Ou ainda: “É bom que no período que ele está longe você pode curtir com os amigos.”

Só quem namora à distância sabe o quanto essas frases são mentirosas. O tempo não está passando rapidinho, pode até passar pra quem está com o namorado do lado, podendo ir com ele ao cinema …