Pular para o conteúdo principal

REFLEXÕES SOBRE A SÉTIMA DÉCADA [Heloisa Reis]

Desceeeendoooo...? Será?

Sensações, constatações, sinais de que a porta de saída está mais próxima e é real, existe mesmo... A trajetória de vida é tão vasta, são tantas as lembranças, que percebemos que as coisas mudam mesmo que pareçam ser as mesmas...

Nossa apreensão da realidade é que muda. Pode ser que os sentidos já não tão aguçados desenvolvam-se mais internamente. As intuições passam a ser muito mais importantes, e as vontades mais controladas. Já não se precisa provar nada a ninguém. Apenas precisa-se viver cada dia com sua qualidade especial , descobrir-se seu sabor de novidade e suas particularidades únicas mesmo que repetidamente.

Recursos criativos são a chave. Mudar hábitos frequentemente, lembrar de coisas, prestar atenção, buscar e re-buscar a vitalidade – são os segredos.

Terceira idade? Quarta? Sem bengalas, ou com elas, o estímulo do encontro com a essência desenvolve ainda mais a intuição, aplica a sabedoria adquirida nos sucessos e nos fracassos, em busca da manifestação do mais alto grau do Amor. O incondicional. Pura sabedoria de integração do conhecimento adquirido com a vivência realizada.
O que há ainda por realizar? Onde encontrar a vitalidade necessária para a superação das conseqüências do tempo? Na abertura às mudanças, pode ser uma resposta. Na busca do Amor Incondicional, outra. Na integração corpo-mente-espírito, talvez outra ainda. Cada um vai encontrar a sua. Certo é que pintar, bordar, fazer estrepolias, escrever, passear, viajar, ousar, ler, etc. e tal, nos ajudam a mudar a visão de mundo e a aceitar a própria vida como ela é.

Preconceitos... para que os queremos? Deixemos o sol entrar e aquecer nossos corações na direção do outro – ser muito mais importante que nós mesmos! Xô hábitos arraigados! Liberdade para as borboletas! Transformações à vista! Corpo mais leve... calor interior, florescendo, tornando-se transparente, espírito à tona, envelhecer bem. É possível!

É o universo em transformação, subiiindoooo! Eu? Apenas estou me preparando... falta pouco ainda!

*Ilustração: Obra da Artista. Série “Conurbações”. Cerâmica e tintas acrílicas sobre madeira.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

MÃE – A MINHA, A SUA, TODAS
[Debora Bottcher]

Pessoalmente, não gosto de escrever sobre ‘datas especiais’ porque sempre me pergunto quem foi que inventou esses ‘dias de’ e baseado em que. É que apesar de eventuais evidências, eu me recuso a crer que essa ‘mágica’ idéia resiste ao tempo, à modernidade, às novas gerações, fincada apenas no foco de atiçar as vendas do quase-sempre-em-crise mercado comercial – digo ‘quase’ porque todas as vezes que vou ao shopping, em qualquer dia da semana, assombro-me com o movimento constante. Daí não tenho certeza de entender bem a base dos números e imagino sempre que é porque as estimativas são ousadas e otimistas demais, muito acima do poder aquisitivo da população média.
Seja como for, se me proponho a abordar o tema do momento – o ‘Dia das Mães’ - prefiro direcioná-lo à figura materna diretamente, para quem, certamente, tal dia é apenas uma vírgula no traçado de sua (árdua) trajetória. Não sou Mãe – que fique claro; portanto, para dedilhar (vagamente) sobre elas, vou me basear na minha, nas m…

EU ESTOU BEM >> Sergio Geia

Digamos que foi um susto. No último dia 11, eu voltava de Jacareí sentido Taubaté, seguia o fluxo normalmente quando no km 156 da Via Dutra, bem em frente ao posto de guarda, em São José dos Campos, os carros à minha frente — como em Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva —, simplesmente congelaram. De 80 km, naquele trecho, para zero, em fração de segundo. Não tive tempo de rezar (ah, como eu queria!), nem sequer olhar pelo retrovisor, descobrir se havia ou não uma carreta atrás de mim. Quando a ficha caiu, pisei fundo no freio, consegui não atingir o veículo à minha frente, mas, também, só por outra fração de segundo. De repente, uma sensação esquisita: eu senti a estocada, os objetos que estavam em cima do banco do carona voaram, logo meu veículo era arrastado até atingir o da frente.

Desci. Os motoristas dos outros quatro carros desceram, todos confusos, querendo entender. Os três primeiros carros, incluindo o meu, pequenos danos materiais, levíssimos diante do susto. O penúltimo e o …

À DISTÂNCIA (Paula Pimenta)

E se quiser recordar daquele nosso namoro
Quando eu ia viajar você caía no choro Eu chorando pela estrada Mas o que eu posso fazer Trabalhar é minha sina Eu gosto mesmo é d'ocê...
(Vital Farias)

Quem nunca namorou de longe, não vai conseguir entender metade do que eu vou escrever nessa crônica, porque só quem já passou por essa experiência sabe o quanto ela é difícil. Mesmo assim vou tentar explicar, para todas as vezes que vocês se depararem com alguém reclamando da ausência do namorado, não começarem com as manjadas frases que não fazem nada pela pessoa solitária: “Ah, mas pelo menos quando vocês se encontram tudo é festa, nem tem tempo pra brigar.” Ou: “O tempo está passando rapidinho, logo o próximo feriado chega.” Ou ainda: “É bom que no período que ele está longe você pode curtir com os amigos.”

Só quem namora à distância sabe o quanto essas frases são mentirosas. O tempo não está passando rapidinho, pode até passar pra quem está com o namorado do lado, podendo ir com ele ao cinema …