quarta-feira, 14 de agosto de 2013

SE GOSTAR: CURTA. SE AMAR: COMPARTILHE. SE GOSTAR AMANDO: SEJA. >> Carla Dias >>


Acredite, sou das que sabem que toda teoria, quando tem a ver com o aspecto pessoal, raramente combina com a prática. Disso eu sei pela minha mania de inventar personagens e depois transformar a história deles em livro. É muito fácil e agradável criar alguém que seria você, não fosse o que ele é e você jamais seria.  O que ele faz e não combina com a sua realidade.

Inventar-se é divertido, acabamos até adotando algumas dessas invenções, transformando-as em tempero para a nossa realidade, e assim, reinventamo-nos. O que não é divertido é a falta de noção de que há um espaço bem grande entre a pessoa que muitos dizem ser, por meio de uma longa descrição, um “monologum vitae”, e aquela que realmente são.

Até aí, eu sei, nenhuma novidade.

Só que não me importa a falta de novidade. Meu apego é com a falta de noção mesmo. Desde que a internet passou a reinar soberana no território da comunicação, as pessoas realmente acreditam que podem dizer o que lhes der na telha e ser seja quem for. E aí mora o perigo. Quando o que você diz é raso ou ofende, e quando quem você deseja ser atropela quem o outro é de fato, a situação fica mais complicada.

Algumas coisas me incomodam nesse reino dual. Não me levem a mal, porque adoro a internet, acho as redes sociais uma ótima ferramenta para uma série de ações interessantes. Porém, nela fica estampada a falta de noção e informação generalizada. Às vezes, dá até uma tristeza daquelas contemplar tal território. É que as pessoas têm essa ideia completamente errada de que, por não ser físico, ser esse espaço livre, elas podem tudo. Só que, como na nossa realidade, tudo é demais da conta. Não podemos tudo, porque há outras pessoas que vivem no planeta, além de nós mesmos. Esse tudo pertence a todos nós, não apenas a um de nós.

Limite não é prisão. A liberdade é justa somente quando não ultrapassamos o limite e somos intolerantes, cruéis com as outras pessoas. Ter liberdade pede responsabilidade. O que você brada pelos quatro cantos do mundo, e em todos os seus perfis em redes sociais, ecoa. E tudo bem você se inventar, trazer para o virtual a pessoa que gostaria de ser. É um direito seu, que cabe na sua liberdade. Mas cuidado para não se tornar somente um curtidor distraído, que se torna partidário de comentários funestos, apenas porque curte tudo o que um amigo ou celebridade diz, porque sim. Cuidado para não compartilhar protestos que não passam de panfletagem de pessoas com segundas intenções, só porque quer fazer parte de uma mudança. Aprenda que, no mundo virtual ou no real, o que você diz, as suas opiniões e escolhas, são importantes. A partir do momento em que compreendermos isso, nos tornaremos mais sábios em relação à vida.

E não se esqueça: janelas são bem-vindas para a apreciação de imagens expostas na tela da vida. Abraços são essenciais para o coração.

Imagem: sxc.hu

carladias.com

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