terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

NORMAL X ANORMAL >> Clara Braga

Sempre achei minha família um pouco diferente, mas, para mim, nós sempre fomos os normais e a família dos outros é que não era. Enquanto as famílias dos meus namorados e dos namorados da minha prima eram muito mais apegadas, a nossa sempre foi mais fria. Não que sejam antipáticos, eles só preferem esperar um tempo antes de tratarem um namorado como se fosse filho deles.

Eu, por estar acostumada com o jeito da minha família, sempre achei estranho chegar na casa de um namorado e já ser chamada de “minha netinha” pela vó deles. Não era ruim, faz a gente até se sentir mais a vontade, mas era muito estranho. Com o tempo fui percebendo que isso é muito mais normal do que eu imaginava, aconteceu comigo e com a maioria dos meus amigos.

Outra coisa que meus amigos contam que sempre acontece na família deles é a mãe chorar quando o namoro deles termina. Já ouvi falar de casos que o filho teve que consolar a mãe e não o contrário. Não é possível que eu seja a única que ache isso exagero. Meus pais nunca choraram! E foi depois de ver casos e mais casos desses acontecendo que eu me toquei de que se todas as famílias são assim, não são todas elas que são anormais, a minha é que não deve ser normal.

Depois de chegar a essa conclusão, tive que informar o fato à minha família. Esperei um almoço de domingo, onde todos estariam reunidos, e disse: “Desculpe, família, mas essa é a verdade, nós não somos normais.” Ninguém se abalou, eu tinha argumentos para estar dizendo aquilo, e alguns chegaram até a pensar no caso, realmente, não deve ser muito normal demorar tanto até decorar o nome de um namorado e ficar inventando apelidos aleatórios, né?

Essa informação ficou rolando por um tempo, e quando quase todos já estavam se convencendo de que a nossa família realmente não devia ser normal, o impossível aconteceu. A namorada do meu irmão, que está com ele há 4 anos, passou no vestibular e minha mãe fez o quê? CHOROU! Minha mãe, aquela pessoa que eu consigo contar nos dedos quantas vezes eu vi chorando, chorou e ligou para ela para dar os parabéns chorando.

Eu não pude evitar, tive uma crise de riso. E quando ela viu que eu estava rindo, sem acreditar que ela realmente estava chorando, ela disse a frase que depois eu tive que contar novamente para todos ouvirem em outro almoço de domingo: “Ah Clarinha, não ri não, ela é como uma filha.”

Problema resolvido, minha família é normal.

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4 comentários:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Bem-vinda à normalidade, Clara. :)

albir disse...

Clara,
vale a ressalva do Caetano: "de perto ninguém é normal".

Clara Braga disse...

hahaha! É verdade!

Ana Braga disse...

Vale a pena lembrar, que nessa família tem até um tio que sofre de Sem Noção Crônica.