Pular para o conteúdo principal

A MÚSICA DELAS >> Carla Dias >>

Ah, que o universo da música continua a me incitar pensamentos. Definitivamente, sem a música meus escritos seriam monocromáticos.

Agora, por exemplo, estou ouvindo Orchestre Del Tango de Fleurs Noires, um grupo formado por argentinas e francesas, dez mulheres que são ótimas instrumentistas, com um repertório com canções de jovens compositores, como Eduardo Acuna, Víctor Parma e Gerardo Jerez Le Cam, compostas especialmente para o trabalho delas. O tango, que sempre foi conduzido por homens falando sobre as mulheres, agora conta com um belíssimo e forte trabalho de mulheres falando sobre elas mesmas, e todo sentimento que envolve o universo feminino, através de canções com arranjos belíssimos e dramáticos, que tão bem cabem no tango.

FLEURS NOIRES

http://www.myspace.com/fleursnoires

A Fleurs Noires é composta por Andrea Marsili (Piano), Veronique Rioux (bandoneon solo), Carolina Poenitz (bandoneon), Eve Cupial (bandoneon), Anne LePape (violino solo), Andrea Pujado (violino), Solenne Bort (violino), Caroline Pearsall (violino), Veronica Votti (cello), Anne Vauchelet (baixo acústico). Como convidados, participam as cantoras Debora Russ e Sandra Rumolino, e o percussionista Joel Grare.


Outras mulheres vêm fazendo belos trabalhos no cenário musical, e muitas delas são brasileiras, como Eliana Printes, que considero uma intérprete de primeira, com bom gosto ao compor e ao escolher compositores para o seu repertório.


ELIANA PRINTES

http://www.myspace.com/elianaprintescantora


Outra intérprete talentosa e que merece a atenção dos interessados em boa música é Ceumar, a mineira que, desde o ano passado, mora em Amsterdam, na Holanda. Já escrevi sobre ela aqui e inclui na minha crônica o vídeo de uma canção que eu adoro, Oração do Anjo. E tenho de pedir aos interessados que dêem uma olhada na página da moça, no Myspace e ouça a versão dessa canção com um trio de jazz. Linda que só! Mas para não ficar só na conversa...

CEUMAR

http://www.myspace.com/ceumar



Achegando-nos ao Amapá, encontraremos essa peculiar intérprete, que representa tão bem sua região, incluindo em seu repertório grandes nomes da música amapaense. Seu novo disco “Eu sou caboca” é uma delícia de se ouvir. Patrícia nos leva a uma viagem musical em nuances, o ritmo envolvente, a sua voz abarcando nossos sentidos.


PATRÍCIA BASTOS

http://www.myspace.com/patriciabastos


Saindo do Brasil, novamente, tenho escutado uma instrumentista interessantíssima. Dominika Maria Bonk saiu da Alemanha e hoje vive na Itália. Estudou a música Renascentista e entre os instrumentos que toca está a vielle medieval, que me soa bela e inquietante. Para os que se permitirem explorar o universo musical, na página do Myspace de Dominika há a Sound of Vielle 2, e abaixo segue um vídeo dela acompanhando Aronne Dell’Oro (voz e violão).


DOMINIKA MARIA BONK

http://www.myspace.com/dominikamalia


Para fechar, Markéta Irglová, que participou do filme Once - Apenas Uma Vez, com Glen Hansard, da banda irlandesa The Frames. Markéta nasceu em Valasské Mezirící, República Tcheca, e hoje vive na Irlanda. Toca piano e violão e também é compositora e cantora.

Comentários

Drika disse…
Carla,

Elas andam fazendo coisas interessantes por ai. Que bom que fazemos parte desse clube cor de rosa. Obrigada por me fazer ouvir algo que não conhecia e me tirar da ignorancia. Um beijo.
Carla, você sempre nos trazendo essas belezas do mundo. Brigadim. Só senti falta de você escrever um pouquinho mais sobre como entrou em contato com essas moças. Queria mais prosa sua na música delas. :)
Carla Dias disse…
Drikota... Você faz parte sim das mulheres artistas. Suas fotos são lindas e você lida com o universo musical criando espaço para essas pessoas. E fico feliz em saber que você conheceu mais alguns dos meus afetos artísticos.

Eduardo... Para ser cronista com essas moças eu teria de publicar uma crônica para cada uma. Teria de ser em capítulos, como o Albir fez :)
E certamente voltarei a elas e com detalhes.
albir disse…
Carla,
você me pluga com a arte. Obrigado.
Carla Dias disse…
Albir... Ainda bem que você me permite plugá-lo : )

Postagens mais visitadas deste blog

MÃE – A MINHA, A SUA, TODAS
[Debora Bottcher]

Pessoalmente, não gosto de escrever sobre ‘datas especiais’ porque sempre me pergunto quem foi que inventou esses ‘dias de’ e baseado em que. É que apesar de eventuais evidências, eu me recuso a crer que essa ‘mágica’ idéia resiste ao tempo, à modernidade, às novas gerações, fincada apenas no foco de atiçar as vendas do quase-sempre-em-crise mercado comercial – digo ‘quase’ porque todas as vezes que vou ao shopping, em qualquer dia da semana, assombro-me com o movimento constante. Daí não tenho certeza de entender bem a base dos números e imagino sempre que é porque as estimativas são ousadas e otimistas demais, muito acima do poder aquisitivo da população média.
Seja como for, se me proponho a abordar o tema do momento – o ‘Dia das Mães’ - prefiro direcioná-lo à figura materna diretamente, para quem, certamente, tal dia é apenas uma vírgula no traçado de sua (árdua) trajetória. Não sou Mãe – que fique claro; portanto, para dedilhar (vagamente) sobre elas, vou me basear na minha, nas m…

À DISTÂNCIA (Paula Pimenta)

E se quiser recordar daquele nosso namoro
Quando eu ia viajar você caía no choro Eu chorando pela estrada Mas o que eu posso fazer Trabalhar é minha sina Eu gosto mesmo é d'ocê...
(Vital Farias)

Quem nunca namorou de longe, não vai conseguir entender metade do que eu vou escrever nessa crônica, porque só quem já passou por essa experiência sabe o quanto ela é difícil. Mesmo assim vou tentar explicar, para todas as vezes que vocês se depararem com alguém reclamando da ausência do namorado, não começarem com as manjadas frases que não fazem nada pela pessoa solitária: “Ah, mas pelo menos quando vocês se encontram tudo é festa, nem tem tempo pra brigar.” Ou: “O tempo está passando rapidinho, logo o próximo feriado chega.” Ou ainda: “É bom que no período que ele está longe você pode curtir com os amigos.”

Só quem namora à distância sabe o quanto essas frases são mentirosas. O tempo não está passando rapidinho, pode até passar pra quem está com o namorado do lado, podendo ir com ele ao cinema …

EU ESTOU BEM >> Sergio Geia

Digamos que foi um susto. No último dia 11, eu voltava de Jacareí sentido Taubaté, seguia o fluxo normalmente quando no km 156 da Via Dutra, bem em frente ao posto de guarda, em São José dos Campos, os carros à minha frente — como em Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva —, simplesmente congelaram. De 80 km, naquele trecho, para zero, em fração de segundo. Não tive tempo de rezar (ah, como eu queria!), nem sequer olhar pelo retrovisor, descobrir se havia ou não uma carreta atrás de mim. Quando a ficha caiu, pisei fundo no freio, consegui não atingir o veículo à minha frente, mas, também, só por outra fração de segundo. De repente, uma sensação esquisita: eu senti a estocada, os objetos que estavam em cima do banco do carona voaram, logo meu veículo era arrastado até atingir o da frente.

Desci. Os motoristas dos outros quatro carros desceram, todos confusos, querendo entender. Os três primeiros carros, incluindo o meu, pequenos danos materiais, levíssimos diante do susto. O penúltimo e o …