sábado, 25 de outubro de 2008

IMAGENS E ELEIÇÃO [Ana Gonzalez]


Quem sabe o que passa na cabeça dos eleitores no dia das eleições? Alguns levam a sério a responsabilidade de votar. Outros pensam mais nos candidatos que vão perder seu voto; outros ainda pensam na proposta útil para o seu bairro. Há aqueles que só vão cumprir a obrigação e os que votam branco ou nulo. Mas, na verdade, tudo isso faz esse evento.

Eleições são assim. Uma diversidade que é a cara da democracia. Bem ou mal é essa que temos no momento. Já vivemos períodos de história em que ela foi menos presente. Os escravos de séculos passados que o digam. Tá bom, mudou pouco. Mas, é assim que funciona. O crescimento de um país e o desenvolvimento de suas instituições andam devagar. Algumas vezes, devagar demais. Seja como for, eleições são sempre uma possibilidade de mudança, apesar de toda a frustração e desânimo com a classe política. E pensar nisso acorda em mim a lembrança de uma foto.

Certa vez, recortei de um jornal uma imagem que trazia uma moça magra, de cabelos escuros,um tanto em desalinho, com chinelo de dedo, camiseta e saia curta colorida. Ela segurava uma bandeira nacional, andando por uma rua de terra, possivelmente em um bairro da periferia.

A foto é privilegiada, momento único. Uma pessoa jovem empunha a bandeira nacional em um momento de comemoração. Minha memória falha nos detalhes. Não me recordo do que se tratava. Uma greve, um movimento de moradores do bairro ou o Sete de Setembro.

O que restou na peneira seletiva de minha escolha inconsciente foi a expressão de seu rosto: os olhos e a face em meio sorriso e os braços em movimento contraído, da força necessária para segurar a bandeira, sustentando um protesto, um grito, um sentimento de entusiasmo. Ela era viva. Embora frágil, a democracia em pessoa. Jovens empunham bandeiras, na França, pela queda da Bastilha, como no quadro famoso, no Brasil ou em qualquer lugar.

Essa é a imagem que me lembra agora a experiência das eleições. Minha memória insiste nela. Uma ação por ideais de liberdade, ou por outros valores quaisquer que valham mais do que miséria e violência. A resistência de um gesto pulando de dentro da passividade da rotina diária.

Talvez não haja palavras suficientes para descrever a cena. Um enorme paradoxo entre a imagem da pobreza do lugar e a riqueza do gesto generoso de uma vida na participação e no compartilhamento social.

Que cada um complete com o seu repertório a imagem possível de seu voto. A cena da bandeira empunhada e do gesto de quem sabe o caminho, de quem sabe uma esperança, essa é a imagem de meu voto nesta eleição.

Imagens: Debate RJ, Luiz Thiago Santos, UOL; Debate SP, Rogerio Cassimiro, Folha Imagem; Debate BH, Marília Juste, Globo (G1).

Partilhar

2 comentários:

ASCIND- Ass. CORRETORES de SEGUROS INDEPENDENTE disse...

Ana,
Sabe a impressão que me passa, é a mesma do carnaval, quando vejo escola de samba.

o Eduardo, desconsiderando o seu comprometimento até a alma, é aquela escola que passa tecnicamente perfeita, mas não levanta a arquibancada.
Entretanto conforme os jurados pode até ganhar... snif .. snif.. snif...

MAS O GABEIRA TEM PAIXÃO PELO RIO, olha no olho, sua postura foi de responder
as perguntas de peito aberto, sem ficar lendo papelzinho.

a escola dele pode não estar tecnicamente apresentável, MAS SUA PAIXÃO PELO
RIO CONTAGIA e o pessoal invade a pista para acompanhar.

Sabe o que eu gostaria muito... é no domingo a noite, depois dos resultados,
ir pegá-lo em casa, para por sua escola na avenida no desfile das campeãs.

sabe, nunca participei de uma comemoração destas... tenho pavor de tumulto...
mas acho até que me arriscaria...

Gente, aquela do Gabeira, dizer que dará desconto no IPTU para financiar a
arrecadação da água de chuva nas casas e a energia solar...
GENTE, ISSO É QUE É VISÃO DE subsistência de futuro...

Gabeira é sonhar de novo com um amanhã... que pode até ter Grande Onda, mas ele vai saber enfrentar a situação... como o prefeito de Nova York fez em 11/09...
tem um amanhã nos olhos dele, e nos nossos sonhos...

Este é meu sonho... A paixão pelo Rio de Janeiro...
já que os tecnocratas até hoje nada nos trouxeram...
só buraco na rua e um monte de dívidas.

Voto não tem preço tem conseqüência.
Lenora Milesi
Eu Quero Agora e Sem Demora

Anônimo disse...

Lenora, que lindo!!!!! emoção demais e amor pela terra. A sua cara!
bjsss
Ana González