segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Da arte de desaniversariar >> Maria Rachel Oliveira



Aniversários são, teoricamente, momentos de reflexão e de aprendizagem. São? Bem, para mim, não este – ao menos não exatamente. Como o aniversário foi meu, e com ele faço o que quiser, decidi que este ano e em alguns outros, oportunamente, não quero saber de aniversário. Só de desaniversário – modalidade na qual estreei anteontem, dia 11, sábado. Sábado, que pra me contrariar, não me deu um arco-íris de presente, embora houvesse sol e nuvens muito, muito cinzas.

A propósito, podem dar os parabéns atrasados que eu os aceito todos. Desaniversários merecem também.

Não vou dar pra mentir idade, nem tentar me fazer passar por tchutchuca universitária. Desaniversariar também não significa começar algum projeto esdrúxulo para virar uma velha ridícula de cabelos longos, loiros e com peitos siliconados.

Trata-se de desaprender.

Eu, astróloga iniciante, posso tentar interpretar sabidamente alguns aspectos desta Revolução Solar; talvez até achar alguma justificativa para essa sandice; mas não quero. Porque descobri que um dia eu já quis coisas sem motivo algum, e que no final das contas elas eram boas.

Quero reaprender a gostar sem medo. Ou desaprender a gostar com; o que dá no mesmo. Eu, que voltimeia tenho saudosismo de mim mesma, porque amar logo que a gente aprende como é tem o lado gostoso de se jogar sem pensar muito nos 'e se...' e nos 'mas'; duas pragas da experiência.

Quero esquecer como é fazer tantos planos; mantendo vivos bem menos de meia-dúzia - e ficar aberta aos imprevistos que virão pelo caminho. Como naquele Natal em que você queria uma boneca Chorinho, mas ganhou um Genius, sabe? No final das contas não foi uma bela surpresa? Pois é! Não ter o que a gente pensa que quer não é necessariamente uma coisa ruim.

Carece também descobrir como a gente desaprende a ter culpa das coisas, esse sentimento que não leva nada a lugar nenhum. Afinal, melhor uma autocrítica construtiva do que uma culpa inútil e bolorenta ocupando espaço.

Talvez essa estranha proximidade com o Dia da Criança, que foi ontem, tenha lá seu significado de ser. Desaprender será pra mim o leitmotiv do ano-novo. E Oxalá os anjos estejam de acordo. Ao menos a primavera finalmente chegou, e há sol aqui nas proximidades do Trópico de Câncer.

***

Mal educada que fui, nem me apresentei para vocês, que agora vão me ler. Já tive duas crônicas publicadas no antigo Crônica do Dia, uns anos atrás. Sou jornalista de formação, aspirante a psicanalista, fotógrafa e astróloga; e desaprendente. Paciência comigo; já que estou começando tudo de novo, peço-vos. Embora ainda não tenha colocado todo meu novo plano em prática, creio que, relativizando, não há contra-indicações e que deveriam tentar fazer o mesmo.

Até a próxima esquina de alguma segunda-feira.

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6 comentários:

C Letti disse...

Então, feliz desaniverário, dona moça, à moda do coelho de Alice! :)
Desaprender, não raro, é sábio.
Bem vinda à nau do CD! E das desaprendizes também!
beijo grande!

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Feliz desaniversário prolongado, Rachel! Cuida que o arco-íris também pode vir de presente a qualquer momento. Bem-vinda ao Crônica do Dia! Essas segundas-feiras prometem. :)

Zander Catta Preta disse...

ok ok ok

feliz, feliz.

beijomeliga?

albir disse...

Você merece parabéns por qualquer coisa que comemore.
Nós comemoramos sua chegada. E ganhamos o presente de suas palavras.
Beijos... mais beijos!

Egídio La Pasta Jr disse...

então, assino em baixo e em cima: desaprendamos!

mimika disse...

Quando desaniversariar significa encarar o mundo de maneira mais solta e feliz, recebendo tudo de bom que ele tem pra oferecer e se livrando das expectativas e regras que acabam engessando a vida - TUDO pode ficar bem mais interessante!! Muitas descobertas pra vc!! Um feliz desaniversário!!