quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

VAMPIROS >> Carla Dias >>

Ed Wood é um filme que me fascina, não somente por se tratar da história bem contada de um cineasta que, por falta de talento para este fazer, o de contar uma história, foi considerado pelos críticos um dos piores do mundo. A sempre celebrada parceria entre o diretor Tim Burton e o ator Johnny Depp conseguiu dar a esta obra o tom certo de estranheza e devoção que permearam a vida de Wood, que podia até não ter talento, mas certamente cultivava um inquestionável amor pela sétima arte.

O encontro de Ed Wood com o ator Bela Lugosi é retratado com impressionante sensibilidade, e um quê de humor, por Johnny Depp e Martin Landau. Lugosi está deitado em um caixão e Wood, ao ver o astro dos filmes de terror, seu ídolo, pára em frente à loja e o observa. Lugosi abre os olhos, esbraveja sobre o caixão ser pequeno demais para os seus braços, levanta-se e saí da loja, deparando-se com um encantado Ed Wood. Birrento, charmosamente quase intragável, Martin Landau é um Bela Lugosi fantástico; quase tão fantástico quanto o próprio Bela Lugosi.

Bram Stocker publicou Drácula em 1897 e o sucesso foi imediato. O húngaro Bela Ferenc Deszo Blasko, Bela Lugosi, subiu aos palcos para interpretar a peça baseada na obra do escritor irlandês. A Universal gostou da idéia e levou a história para o cinema. Drácula, o filme, foi lançado em 1931, e Bela se tornou o mais famoso representante do morto-vivo nas telas.

Hollywood se tornou o berço de diversas versões deste ser que mete medo e fascina, ao mesmo tempo. De Catherine Deneuve e David Bowie em Fome de Viver (The Hunger), a Kiefer Sutherland em Garotos Perdidos (Lost Boys), passando por Brad Pitt e Tom Cruise em Entrevista com o Vampiro (Interview With The Vampire: The Vampire Chronicles), chegando ao Drácula de Bram Stocker (Bram Stocker’s Dracula), com Gary Oldman.

A televisão não deixou por menos. Seriados como Buffy – A Caça Vampiros (Buffy – The Vampire Slayer) e Angel tiveram vida longa. Buffy era uma versão teen, uma mistura de vampiros e monstros; a epopéia do bem contra o mal iniciada dentro da escola. David Boreanaz, o Angel, o vampiro, era o amor impossível da humana Buffy, interpretada por Sarah Michelle Gellar. O personagem ganhou tanta notoriedade que os produtores resolveram lhe dar um programa.

Angel, apesar de ainda trazer muitos vícios do humor sem graça, atrapalhando a seriedade que o tema pede para se obter profundidade, era um seriado mais calcado no que seria um vampiro. O personagem nem de longe lembrava os vividos por Bela Lugosi; tinha um jeito mais descolado. Ganhou alma, o que o fez se voltar para o lado do bem. Sofria de amor e de solidão. Às vezes, cometia erros e maldadezinhas (o que pode ser mais humano?), mas lutava para ser um morto-vivo capaz de oferecer benevolência.

O poder da sedução é a peculiaridade principal de um vampiro. Gary Oldman, o Príncipe Vlad Drácula, imprimiu em sua atuação em Drácula de Bram Stocker o tom certo da sedução. São seres indescritíveis e humanos e suas mulheres a caírem de amores por ele. Do olhar apaixonante à transformação que conduz ao mais asqueroso monstro; o bem-trajado, de olhar misterioso e de caminhar cadenciado, sentindo-se dono das almas de suas caças, passeia sobre o fio que separa o bem do mal, bagunçando essa certeza de que há, realmente, um equilíbrio.

De Bela Lugosi aos vampiros dos dias de hoje; da obra de Bram Stocker às diversas outras já publicadas. Apesar de ser um tema interessante, os vampiros já foram retratados de inúmeras formas e descritos ao gosto e imaginação de tantos, que a procriação de péssimas obras era inevitável. Porém, um seriado de televisão renovou o gosto popular pelos sequiosos por sangue, excelente roteiro e boa produção.

Moonlight estreou, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, em 2007. Não se sabe se por conta da greve dos roteiristas ou a vantagem de se produzir uma temporada mais curta, a primeira conta com somente 12 episódios. Se a idéia era saber se a série daria certo, a questão já está resolvida. Moonlight seduziu os telespectadores.




Mick St. John (Alex O’loughlin) é a versão lapidada de vários vampiros da história do cinema e da televisão. Não somente um morto-vivo capaz de qualquer ato para conseguir se alimentar. Há nele um ser humano, ao menos a forte presença do ser humano que foi. Ele preza pela humanidade muito mais do que pela sua condição de vampiro. Beth Turner (Sophia Myles) faz contraponto nesta trama. Mick a salvou e, desde então, a protege. Obviamente, a sintonia é inevitável e, então, vem a cilada: vampiro que não transforma outros em vampiros nutre afeto por humana curiosa e a única a saber quem ele realmente é.

O que me agrada em Moonlight não é somente o tema, mas também a forma como ele é desenvolvido. Há uma melancolia em Mick que bate de frente com a disposição de Beth; há a sagacidade de Josef Kostan (Jason Dohring), da turma que, ao lado de Mick, cuida para que a existência dos vampiros permaneça em segredo. E Coraline (Shannyn Sossamon), a esposa que o transformou na noite de núpcias e, depois, seqüestrou Beth Turner ainda criança, com o intuito de formar uma família. Foi de Coraline que ele salvou Beth.

Mick narrador, esmiuçando sobre como é ser um vampiro; o que ele sente, percebe e vai além da compreensão humana, é um adendo importante. Essa narrativa torna o roteiro ainda mais interessante.

Para não me estender demais e fechar esta crônica, abaixo segue o vídeo Interview With A Vampire, vídeo promocional da série.



Moonlight vai ao ar pela Warner: quarta (22h), quinta (01h) e domingo (18h).

www.carladias.com


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2 comentários:

Ciro disse...

Oi Carla!
Gostei muito do texto, aliás, é sobre um dos meus assuntos preferidos, grande leitor de Anne Rice. Conheci "Entrevista com o Vampiro" ouvindo "Moon Over Bourbon Street" do Sting.
Acho "Fome de Viver" um filme essencial e sou fã da Winona Ryder (quando ela não está roubando roupas em lojas), portanto, do Drácula de Coppola. Podia falar horas sobre filmes de vampiros, mas vou ficando por aqui.
Abraços!
Ciro Hiruma

Anny disse...

Holly molly.... Carla se mandou MUITO bem o texto ficou nota 10 euestou aqui que nem loca agora correndo atraz de como ter access ao seriado Moonlight ;que incrivelmete NAO chegou aqui - ainda... Cheguei a perguntar para uma galera mais nova a respeito porem eles nao fazem a menor idea....Estranho ne?....A febre aqui ainda e Heroes.
Beijos e sucesso
PS: ADOREI a parte dos 4fs da intrevista – muito boa:P
Anny