domingo, 13 de janeiro de 2008

UNS PÉS >> Eduardo Loureiro Jr.

Foto: Ozita AlbuquerqueEnquanto ela massageava deliciosamente meus pés, eu falei sem desconfiar que abalaria sua auto-estima sexual:

— Isso é melhor do que sexo!

Do próprio Jesus Cristo, eu não invejo o poder de fazer milagres, mas o fato de ter tido os pés lavados, e depois enxutos, pelos cabelos de Maria, a irmã da trabalhadora Marta. E o reconheço como Mestre não por ter morrido numa cruz, mas por ter lavado os pés de seus discípulos.

Cabeça, coração, olhos, sexos... partes do corpo tão presenteadas com louvores em contos, romances, versos e canções. E o que sobrou para os pés? Um jogo estranho com a mais incompreensível das regras: o impedimento. Mesmo assim, em sua humildade, os pés transformam chute em dança.

Quando dormimos, eles estão de pé, alertas, prontos para qualquer eventualidade. Quando despertamos e nos levantamos, eles nos suportam, passo a passo, muitas vezes aprisionados em chinelos, sandálias, sapatos.

Se à minha futura esposa me fosse permitido fazer um único pedido, eu arriscaria que ela não me fosse fiel na alegria e na tristeza, pedindo apenas: "Amolegue meus pés todas as noites antes de dormirmos." Ela diria que sim, parecendo-lhe fácil. E eu ficaria me perguntando: será que ela sabe amolegar uns pés com firmeza e suavidade, sem cansaço nem pressa?

Se ao cavalheiro cabe pedir ao pai de sua pretendente a mão de sua filha em casamento, não seria justo que a nobre dama pedisse à mãe de seu pretendente os pés de seu filho?

Ah, quando o ser humano descobrir que a felicidade vem pelos pés...

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8 comentários:

inês disse...

Bendito sejam os pés! :)

Seu texto me fez lembrar o livro "Abaixo das canelas" de Eva Furnari. Ele compõe bem com sua crônica.

Beijinhos

CrisEbecken disse...

Os mistérios e a revelação pela caminhada... a firmeza e a delicadeza rendidas à base... os pés, o elo dos elos, encontra bem outro grande elo, as mãos.

Ozita disse...

Gostei da crônica. Nossa história de vida é construida através das caminhadas que percorremos com os pés. Daí a importãncia desse valioso instrumento.

r a c h e l disse...

Oi Eduardo, não sei se você lembra de mim, a louca que abriu o berreiro na Cobal aquele dia que você esteve aqui no Rio com a Clau... rs.

Mas sabe que é verdade, o meu primeiro namorado fazia uma baita massagem nos meus pés sempre que eu pedia - ou não (e nas costas e onde mais eu quisesse oficórse). Acho que essa uma mistura de humildade com adoração que faz com que nos sintamos quase Deuses quando o foco das atenções são os nossos pés, né?

Que assim seja o seu desejo, meu querido. Quando virás novamente?

Beijo,

Felipe disse...

Meu amigo, sua crônica me fez descobrir que não gosto que amoleguem meus pés. Talvez por isso não tenha compreendido (ou sequer imaginado) a sensação tão maravilhosamente descrita por você. Assim, me vejo obrigado a dizer que, se tivesse que pedir para ser amolegado todas as noites antes de dormir, certamente escolheria outra parte do corpo. O lóbulo, por exemplo. ;)

Anônimo disse...

Legal...Gostei muito da mensagem.Você sabe que 06 de outubro é o dia nacional da podolatria?
podo(pés) + latria(adoração)= podolatria/ adoração dos pés.

Anônimo disse...

Edo,
O comentário do dia nacional da podolatria fui eu quem enviou. Sem querer fiquei no anominato. Você sabe que tem muitas mulheres querendo ter um homem aos seus pés?
Esse negócio de "pé" é meio complicado.

Dilma disse...

Edo, fiz dois comentários e em ambos fiquei no anomimato. Vamos ver se apareço agora. Já me disseram que as mulheres mais sensuais usam sandálias de tirinhas para deixar os pés semi despidos.