quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

PARA ANO NOVO >> Carla Dias >>

Nothing is here to stay
Everything has to begin and end
A ship in a bottle won't sail
All we can do is dream that the wind
Will blow us across the water
A ship in a bottle set sail
"Baby" song by Dave Matthews



Um silêncio no tamanho da reflexão necessária. Pãozinho francês cobrado por unidade. Flores na mesa de centro da sala, ou em qualquer centro que faça a diferença e mereça o embelezamento. A roupa combinando com o evento e o evento provendo o melhor do que antes eram somente expectativas. Um galho de arruda dentro de um copo com água que garanta a proteção desejada. Alimentação saudável. Desejos saudáveis. O ator da telenovela dizendo o que você precisa ouvir, mas não há quem possa dizê-lo, no momento. Alívio para curar preocupação.

A chegada após longa espera. Um copo de leite morno com mel, antes de dormir uma noite de inverno rigoroso. Produtos biodegradáveis. Mágoas com data de vencimento para daqui a pouco. Pessoas, arbustos, riachos, café com leite da padaria, festas, nem sempre na mesma ordem. Olhar perdido no horizonte. Olhar largado no do outro. Olhar o outro e se permitir largar-se naquele horizonte. Piada que, de tão sem graça, nos faça gargalhar.

Catarse para os cansados das jornadas pessoais. Profissões divertidas para os aborrecidos. E amor em todas as formas, mas sempre honesto. Suco de maracujá, protetor solar para durante e hidratante para depois. Consciência social. Tolerância. Pensamentos borbulhando em criatividade. Uma casinha, da cor preferida, com varanda, um quintal e uma janela para ver o sol nascer.

Alimentar os bichos no zoológico. Soltar os bichos. Alimentar pessoas mundo afora. Matar a curiosidade de uns e a sede de outros: açudes, escolas, grupos de discussão. Shows em bares pequenos com grandes artistas. Banho de cachoeira, dançar descalça, passear na idéia de quem nos desperta o desejo de saber mais sobre tudo. As boas e velhas balas de hortelã não poderiam ficar de fora, assim como o carinho da mãe, do pai, da avó, do avô, do irmão, da irmã, dos filhos e dos amigos.

Dar-se conta de que encontrou alguém a quem pode amar sem medo de desaprender a si mesmo. O vocabulário renovado, através de palavras ditas em tons diversos. Poesia, música, arte... Brincadeiras e não ofensas. A beleza sendo encontrada em todas as formas e celebradas por suas peculiaridades. Sutilezas que, ao contrário do que a maioria pensa sobre elas, têm o poder de liderar transformações significativas. Não perder de vista a liberdade. Vislumbrar jardins, futuro, paixões e banalidades. Há sabedoria no banal. Há sabedoria de onde quer que a procuremos.

Fruta tirada do pé, margens, esboços, possibilidades. Um punhado de coisas que não cabem em palavras. A compreensão sobre a própria existência; se não for possível, uma pista que seja para nos animar a continuar em busca de quem somos, e nos tornando melhores do que ontem.


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2 comentários:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Uau! Isso é que é lista de desejos de de resoluções! :) O ano novo precisava dessa bênção em poesia.

Debora Bottcher disse...

Amém! Realmente, uma benção para o novo ano. E que seja assim, delicado e encantado como vc nos projetou.
Beijo enorme.