quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

RECADO >> Carla Dias >>

Tenho um recado para você.

Não caiu do céu o tal, nem das tardes solitárias, observando impossibilidades. O que tenho a dizer está estampado na rotina das coisas e dos pensamentos. Foi fisgado à luz da lamparina, ao tremular das chamas das velas, e de toda forma de iluminação.

Meu recado não está escrito em papel de pão, sulfite ou bloco de notas. Não vem das cartas e seus mistérios. Não precisa ser lido pelos búzios. O que tenho a lhe dizer é um tanto menos espetacular... Apesar da importância que abarca, de ser indispensável a consciência sobre o que representa.

Esteja atento aos mistérios, que sinuosos e intrigantes, aguçam a nossa capacidade de reverberar significados.

E espero que, recado dado, você possa maravilhar-se com o que está ao seu alcance, antes de alçar vôos mais ousados, pois para tudo há tempo e ciência. É preciso prestar atenção a cada volta que a alma da gente dá. E também contemplar os resultados das nossas jornadas. Senão, viveremos pela metade, sem sabedoria para desfrutar dos aprendizados mais complexos.

Na simplicidade vive a complexidade, não o contrário. Sem saber da simplicidade, dos inícios, jamais desfrutaremos do aprendizado sobre a complexidade... E poderemos nos perder nas entrelinhas, no desconserto.

Como eu disse, meu recado não é dos desconhecidos. Talvez seja mais um lembrete, como tantos outros que a vida tende a nos enviar. Porém, que sempre haja quem nos envie tais recados; que repitam até ouvirmos tais des-novidades, pois sempre haverá aquele que, por esquecimento, dependerá dessa fonte para matar a sede por rumo. Reaprenderá o ensejo e se aproveitará dele. Reconstruirá sua biografia, mas dessa vez, do início.

Os inícios são essenciais.


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Um comentário:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Suas crônicas sempre têm sabor de início. :)