quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

JOVENS DEMAIS PARA MORRER >> Carla Dias

A primeira vez que assisti Heath Ledger foi em Dez Coisas Que Odeio Em Você (10 Things I Hate About You). Eu já não era uma adolescente, mas o filme me fisgou, assim como Ledger. Foi assim que me tornei apreciadora do trabalho deste ator.

O Segredo De Brokeback Mountain (Brokeback Mountain) pode até ser um filme desafiador, bacana, que elevou o status de Ledger como artista que aceita desafios. Mas para mim sua participação em filmes como A Última Ceia (Monster’s Ball), As Quatro Plumas (The Four Feathers) e Devorador De Pecados (The Order) é que o define.

Heath Ledger morreu ontem, 22 de janeiro, em Nova York, aos 28 anos de idade, o que me fez lembrar de outro ator que partiu cedo; não pelas condições, já que ainda não se sabe realmente o que causou a morte de Ledger. Lembrou-me de River Phoenix, mas pela sensação que deixou em mim essa partida ainda na infância das suas realizações. Phoenix morreu aos 23 anos de idade.

Sempre que assisto Apostando no Amor (Dogfight), com River Phoenix - filme que, de uma forma muito peculiar, fala sobre diferenças, chegadas e partidas -, bate-me essa sensação de que é lamentável assistir à vida de pessoas terminarem tão cedo, quando elas prometem tanto. É uma tristeza, sim, mas não daquelas de fã que deseja casar e ter filhos com os seus ídolos, então vê na morte deles a morte de seus sonhos. É a tristeza por não poder virar a página e ver na próxima registradas as conquistas dessas pessoas, porque realmente apreciamos os seus feitos.





Morrer jovem faz parte do roteiro da vida.





Brandon Lee, filho de Bruce Lee, morreu aos 28 anos de idade, durante as filmagens de O Corvo (The Crow), filme que ele considerava a oportunidade de mostrar ao mundo que era um ator capaz de atuar em papéis diversificados, e não só em filmes de lutas marciais. James Dean morreu em um acidente de carro, aos 24 anos, depois de atuar em filmes como Assim Caminha a Humanidade (Giant) e Juventude Transviada (Rebel Without a Cause).

Quanto a Heath Ledger, resta-nos aguardar os lançamentos de Não Estou Lá (I'm Not There), filme inspirado nas canções de Bob Dylan e Batman - O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight), no qual ele incorpora o querido vilão Coringa.

Sabemos que cada um de nós conduz a própria existência na velocidade que julgamos segura. Porém, segurança é questionável em qualquer área, assim como a definição que damos a ela.

Às vezes, tenho a impressão de que certas pessoas vivem a vida inteira em um prazo curto de tempo. E se partem, vão com a bagagem completa. Mas isso é raro... Todos os dias morrem jovens neste mundo, e nem todos já estiveram na tela do cinema. Porém, esta crônica é para homenagear Heath Ledger. Eu, particularmente, sentirei falta do futuro que ele não terá.


Foto: Steve Granitz


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4 comentários:

Paula Pimenta disse...

Eu estou com o coração partido. :(

Rubia disse...

É muito triste mesmo, faz a gente pensar mais na nossa vida... bjo

Lila disse...

Adorei a homenagem, muito linda.

Ciro disse...

A frase que virou mito no rock: "quero morrer cedo e deixar um belo cadáver".
Ou o The Who em My Generation: "quero morrer antes de ficar velho".
Um assunto muito delicado. Dizem que o ato de suicídio seria covardia. Mas só quem já passou por esta situação sabe o que acontece. É como uma dor física intensa que se deseja eliminar a qualquer custo. Mas eu recomendo: sobreviver é um desafio que todos devem tentar!
Ciro Hiruma