Pular para o conteúdo principal

JOVENS DEMAIS PARA MORRER >> Carla Dias

A primeira vez que assisti Heath Ledger foi em Dez Coisas Que Odeio Em Você (10 Things I Hate About You). Eu já não era uma adolescente, mas o filme me fisgou, assim como Ledger. Foi assim que me tornei apreciadora do trabalho deste ator.

O Segredo De Brokeback Mountain (Brokeback Mountain) pode até ser um filme desafiador, bacana, que elevou o status de Ledger como artista que aceita desafios. Mas para mim sua participação em filmes como A Última Ceia (Monster’s Ball), As Quatro Plumas (The Four Feathers) e Devorador De Pecados (The Order) é que o define.

Heath Ledger morreu ontem, 22 de janeiro, em Nova York, aos 28 anos de idade, o que me fez lembrar de outro ator que partiu cedo; não pelas condições, já que ainda não se sabe realmente o que causou a morte de Ledger. Lembrou-me de River Phoenix, mas pela sensação que deixou em mim essa partida ainda na infância das suas realizações. Phoenix morreu aos 23 anos de idade.

Sempre que assisto Apostando no Amor (Dogfight), com River Phoenix - filme que, de uma forma muito peculiar, fala sobre diferenças, chegadas e partidas -, bate-me essa sensação de que é lamentável assistir à vida de pessoas terminarem tão cedo, quando elas prometem tanto. É uma tristeza, sim, mas não daquelas de fã que deseja casar e ter filhos com os seus ídolos, então vê na morte deles a morte de seus sonhos. É a tristeza por não poder virar a página e ver na próxima registradas as conquistas dessas pessoas, porque realmente apreciamos os seus feitos.





Morrer jovem faz parte do roteiro da vida.





Brandon Lee, filho de Bruce Lee, morreu aos 28 anos de idade, durante as filmagens de O Corvo (The Crow), filme que ele considerava a oportunidade de mostrar ao mundo que era um ator capaz de atuar em papéis diversificados, e não só em filmes de lutas marciais. James Dean morreu em um acidente de carro, aos 24 anos, depois de atuar em filmes como Assim Caminha a Humanidade (Giant) e Juventude Transviada (Rebel Without a Cause).

Quanto a Heath Ledger, resta-nos aguardar os lançamentos de Não Estou Lá (I'm Not There), filme inspirado nas canções de Bob Dylan e Batman - O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight), no qual ele incorpora o querido vilão Coringa.

Sabemos que cada um de nós conduz a própria existência na velocidade que julgamos segura. Porém, segurança é questionável em qualquer área, assim como a definição que damos a ela.

Às vezes, tenho a impressão de que certas pessoas vivem a vida inteira em um prazo curto de tempo. E se partem, vão com a bagagem completa. Mas isso é raro... Todos os dias morrem jovens neste mundo, e nem todos já estiveram na tela do cinema. Porém, esta crônica é para homenagear Heath Ledger. Eu, particularmente, sentirei falta do futuro que ele não terá.


Foto: Steve Granitz

Comentários

Paula Pimenta disse…
Eu estou com o coração partido. :(
Rubia disse…
É muito triste mesmo, faz a gente pensar mais na nossa vida... bjo
Lila disse…
Adorei a homenagem, muito linda.
Ciro disse…
A frase que virou mito no rock: "quero morrer cedo e deixar um belo cadáver".
Ou o The Who em My Generation: "quero morrer antes de ficar velho".
Um assunto muito delicado. Dizem que o ato de suicídio seria covardia. Mas só quem já passou por esta situação sabe o que acontece. É como uma dor física intensa que se deseja eliminar a qualquer custo. Mas eu recomendo: sobreviver é um desafio que todos devem tentar!
Ciro Hiruma

Postagens mais visitadas deste blog

MÃE – A MINHA, A SUA, TODAS
[Debora Bottcher]

Pessoalmente, não gosto de escrever sobre ‘datas especiais’ porque sempre me pergunto quem foi que inventou esses ‘dias de’ e baseado em que. É que apesar de eventuais evidências, eu me recuso a crer que essa ‘mágica’ idéia resiste ao tempo, à modernidade, às novas gerações, fincada apenas no foco de atiçar as vendas do quase-sempre-em-crise mercado comercial – digo ‘quase’ porque todas as vezes que vou ao shopping, em qualquer dia da semana, assombro-me com o movimento constante. Daí não tenho certeza de entender bem a base dos números e imagino sempre que é porque as estimativas são ousadas e otimistas demais, muito acima do poder aquisitivo da população média.
Seja como for, se me proponho a abordar o tema do momento – o ‘Dia das Mães’ - prefiro direcioná-lo à figura materna diretamente, para quem, certamente, tal dia é apenas uma vírgula no traçado de sua (árdua) trajetória. Não sou Mãe – que fique claro; portanto, para dedilhar (vagamente) sobre elas, vou me basear na minha, nas m…

EU ESTOU BEM >> Sergio Geia

Digamos que foi um susto. No último dia 11, eu voltava de Jacareí sentido Taubaté, seguia o fluxo normalmente quando no km 156 da Via Dutra, bem em frente ao posto de guarda, em São José dos Campos, os carros à minha frente — como em Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva —, simplesmente congelaram. De 80 km, naquele trecho, para zero, em fração de segundo. Não tive tempo de rezar (ah, como eu queria!), nem sequer olhar pelo retrovisor, descobrir se havia ou não uma carreta atrás de mim. Quando a ficha caiu, pisei fundo no freio, consegui não atingir o veículo à minha frente, mas, também, só por outra fração de segundo. De repente, uma sensação esquisita: eu senti a estocada, os objetos que estavam em cima do banco do carona voaram, logo meu veículo era arrastado até atingir o da frente.

Desci. Os motoristas dos outros quatro carros desceram, todos confusos, querendo entender. Os três primeiros carros, incluindo o meu, pequenos danos materiais, levíssimos diante do susto. O penúltimo e o …

À DISTÂNCIA (Paula Pimenta)

E se quiser recordar daquele nosso namoro
Quando eu ia viajar você caía no choro Eu chorando pela estrada Mas o que eu posso fazer Trabalhar é minha sina Eu gosto mesmo é d'ocê...
(Vital Farias)

Quem nunca namorou de longe, não vai conseguir entender metade do que eu vou escrever nessa crônica, porque só quem já passou por essa experiência sabe o quanto ela é difícil. Mesmo assim vou tentar explicar, para todas as vezes que vocês se depararem com alguém reclamando da ausência do namorado, não começarem com as manjadas frases que não fazem nada pela pessoa solitária: “Ah, mas pelo menos quando vocês se encontram tudo é festa, nem tem tempo pra brigar.” Ou: “O tempo está passando rapidinho, logo o próximo feriado chega.” Ou ainda: “É bom que no período que ele está longe você pode curtir com os amigos.”

Só quem namora à distância sabe o quanto essas frases são mentirosas. O tempo não está passando rapidinho, pode até passar pra quem está com o namorado do lado, podendo ir com ele ao cinema …