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AMENIDADES AÇUCARADAS >> Sergio Geia



Cristovão Tezza disse numa entrevista que um bom leitor é alguém que tenha tempo e condições de ler um livro por mês. Acrescenta que no Brasil seria o paraíso se essa fosse a média. Um livro por mês. Estou tentando me disciplinar. Há meses que leio mais, que me empolgo com um, que emendo outro, e outro. 

E disse outra coisa que me causou inveja, das boas. Disse que escreve pelas manhãs, momento em que sua cabeça ainda parece nova. À tarde, depois da sesta, ele lê. E de noite, vê filmes. Deus! Que sonho de consumo! 

Por falar em escritor contemporâneo, descobri que Ian McEwan vem aí com um novo romance, Machines like me, que deve ser publicado no Brasil ainda neste ano. Tenho aqui vários McEwan, tipo “Sábado”, “Na praia”, “Solar”, “A balada de Adam Henry”, “Amsterdam”. Se não leram nada dele, leiam. McEwan, Philip Roth, J.M. Coetzee, gente da pesada. 

E o que vocês estão achando da nova fase do Crônica? Trouxemos algumas feras de volta: Mariana Scherma, de quem sou leitor, e que deixou Bauru depois de 17 anos e se mudou pra BH; Cristiana Moura, que passou recentemente uma temporada em Lyon; meu amigo Whisner, que tem um canal no YouTube chamado “Acontece nos livros”, sempre um livro interessante com comentários de quem conhece, no caso, o próprio Whisner (e por falar em YouTube, logo estaremos lançando o canal do Crônica, sob a batuta do Whisner; aguardem!); Analu Faria, de Brasília, outra fera. Além deles fomos buscar Fred Fogaça, de São Francisco do Sul, que tem um texto misterioso e tenso; e meu amigo Branco, de Taubaté, que trouxe um frescor poético ao Crônica. Continuam Zoraya César, do Rio, contista das melhores; Clara Braga, de Brasília, sempre atual e fazendo a gente pensar; Albir, do Rio, contundência em estado bruto; Paulo Meireles Barguil, de Fortaleza, texto e fotografias formidáveis; Carla Dias, cronista, contista, baterista, um show de arte; e eu. Estamos no Facebook e no Instagram. Espero que vocês estejam gostando. Comentários, críticas ou sugestões são sempre bem-vindos, no espaço do próprio Crônica ou nos e-mails dos autores, também disponível. 

Causou-me espanto a reação de leitores às minhas últimas publicações. “Escravo da paixão”, por exemplo, um conto erótico, provocou um rebuliço só, e muitos comentários do tipo, Sergio, seu estilo é outro. Tentei explicar que normalmente escrevo crônicas. E que “Escravo da Paixão” é um conto. Um conto é um gênero que oferece um campo aberto para a criação, para o trabalho da linguagem, pra viajar. Acho que a maioria conhece o Sergio cronista; me apresentei como contista. E adorei. Minha amiga Tereza Frade estranhou “Cinquentei”, dizendo ter encontrado melancolia nas entrelinhas e uma visão negativa sobre a vida que se espera adiante. Citou alguns trechos do texto e me sugeriu enxergar outras dimensões mais positivas do pós-cinquenta. Prometo tentar, Tê. E o que vocês acharam do vídeo que fiz sobre os bastidores da crônica “Fofucho”? (quem não viu, está em minha página no Facebook). Como disse a amiga Pollyana Gama, é sempre bacana conhecer a história que rolou por detrás da história. Ela gosta, e aprendeu a gostar com Jorge Amado, Ziraldo e Ana Maria Machado; quer melhores referências? Prometo repetir a experiência, inclusive no canal do Crônica, no YouTube

Essas amenidades açucaradas ficam por aqui. Comentem. Falem. Gostamos de ouvir. Beijos a todos. E sempre agradecido pela generosidade de vocês.

Comentários

Marcia Tette disse…
A meu ver cada crônica ou conto retrata um pouco do seu autor. Histórias vividas, sentimentos profundos, o desejo de viver algo ou um sonho quase inatingível.
Para os mais sensíveis é perceptível o que vai na alma do escritor naquele momento, tristeza alegria, felicidade, melancolia. Afinal, o que faz alguém escrever coisas lindas não é o que vai na alma? Além do estilo próprio, é claro.
Darci Siqueira disse…
Eu já acho que tudo que escreve é tudo você mesmo; seu estilo é muito isso tudo, e penso que ainda vem muita coisa legal pela frente, as vezes me vejo em suas cronicas e sei que os anos 80 que te construíram kkkk. Seu estilo é o nosso também, por esse motivo lemos com tanto prazer. Parabéns abraços!
Fred disse…
Que ótima rotina essa! Acho que vou adotar! Sempre achei a manhã melhor pra escrever. Depois a cabeça fica cheia e vish, tudo vai pelos ares. e daí o tempo bom pra ler, né? ótima ideia!
Albir disse…
Que interessante, Sérgio, esse seu balanço do Crônica!
Zoraya Cesar disse…
Amei, Sérgio! Isso pode até constar como introdução no youtube a quem ainda nao conhece o cronicadodia! Da minha parte, obrigada pelo elogio. Sempre sou grata por deixarem uma contista fazer parte de um grupo de cronistas de alta linha. Isso não é blablabla, é acenar com a mão e convidar, 'venham, aqui vcs encontrarão de tudo um pouco e de tudo bom".
Aproveito tb, para , mais uma vez, agradecer por vc ter tomado a frente do blog, da ideia, do conceito do cronicadodia e transformar essa nossa casa em algo maior.
Beijos blablablamorosos
sergio geia disse…
Marcia: Já disse alguém (falando de cabeça): "a literatura é feita de memória e imaginação". No conto isso é mais sensível. Na crônica o real é quase absoluto.

Darci: Valeu, amigo! A memória está povoada dos anos 80; e da tchurma.

Fred: Essa rotina é maravilhosa! Ai que inveja...

Albir: O Crônica dá um show graças ao talento de seus cronistas.

Zoraya: Hoje o Crônica é arejado com um pouco de conto e poesia. Tamojunto!