quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

SOMBRA>>Analu Faria

Acho que a melhor coisa que podemos fazer por nós mesmos é admitirmos que temos os defeitos mais deploráveis do mundo. Nós mesmos é que somos egoístas, mesquinhos, cruéis. Não é o mundo, não é a vida. É você mesmo, colega. Sou eu também. É aquele parente querido e o vizinho gente boa. 
Não existe "eles" e "nós". Isso é uma divisão humana, criada para que o mundo pudesse caber em caixinhas classificáveis e, assim, nós pudéssemos ter a ilusão de que pode controlá-lo. Uma vez me disseram que isso tinha a ver com o que nossos ancestrais tinham que fazer com o mundo natural que os cercava: era preciso dividir para conquistar. E conquistar, no tempo das cavernas, era basicamente ter passado pelo dia com a incolumidade física em 100%. Então, para meramente sobreviver, era preciso dividir o mundo, saber o que era cada coisa, para, então, poder tomar alguma atitude

Se aprendemos a separar o " bom" do "ruim" e conectá-lo, respectiva e necessariamente ao "nós" e "eles" por conta da nossa ancestral fragilidade física, então, olha, o ser humano é intrinsecamente burro mesmo. Porque mistura alho com bugalho e cozinha a receita errada. Negar que você tem em si um assassino em potencial é perigosíssimo para você e para o mundo todo, por mais bizarro que essa ideia pareça.

Certo mesmo é saber exatamente o que te incomoda e saber conviver com isso. Usar aquilo que te amedronta, antes que essa coisa te use. "Traga os demônios para o banquete", disse um dia um amigo meu praticante de budismo tibetano. Minha maior resolução de ano novo é esta. Proponho que você faça o mesmo. Ao final de 2017, espero que possamos trocar histórias de como dividir a mesa com monstros.



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Um comentário:

Zoraya disse...

Perfeito, Analu! Convidar os demõnios para o banquete foi muito bom mesmo. Boa atitude para todos os dias. Beijos.