quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

35 + >> Analu Faria

Depois dos 35 você ganha o irritante direito de dizer que "na sua época" _______ (insira aqui qualquer coisa) era melhor. Como eu tenho 36, vou começar exercendo esse direito e dizendo que o rock dos anos 90 era melhor que o de hoje. Me julguem, eu tô velha mesmo e gente velha não liga muito para isso.

Na verdade, não foi o rock que mudou. Fui eu. Fiquei "vintage" demais para ouvir o que eu - do alto da minha pretensão - acho um rock leite-com-pera. Para quem foi adolescente ao som de Nirvana, não tem Imagine Dragons que chegue. Tudo bem que curto coisas como Arctic Monkeys, mas o resto de rock de que eu gosto ou é Foo Fighters ou Rolling Stones ou já morreu.

Redescobri - ou melhor - voltei a ouvir essas músicas, talvez porque estamos perto do Natal e eu estou nostálgica, talvez porque estivesse cansada de ouvir mantras - coisa de balzaca estressada -  e me sentindo plebeia demais para ouvir jazz - coisa de gente cult. Benditos sejam os aplicativos que te sugerem música, principalmente perto das festas de fim de ano.  Lembrei-me de que gosto de rock. Lembrei-me, um pouquinho, de que há algum tempo havia um lirismo do qual eu me apropriei, em um estilo de música que eu gostava. Esse lirismo continua comigo (revisitado em mantras e jazz?).

A adolescência é uma época muito subestimada da vida da gente.

E eu estou nova demais para ter crises de meia-idade.




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Um comentário:

Carla Dias disse...

Ah, é definitivamente delícia escrever sobre o que a nossa idade nos oferece no momento da escritura. Não me lembro qual foi, mas também escrevi uma crônica sobre meus 36 anos. Sabe o que é mais doido? Isso foi há dez anos, ou seja, anos 80 e muito rock de moço descabelado usando delineador e legging.