quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

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Cena do filme Bonita Como Nunca |  Fred Astaire e Rita Hayworth

O telejornal que eu assisto, não é o mesmo que você assiste. Na verdade, abandonei telejornais há cinco escândalos, que eles deram de competir com programas de entretenimento. Isso vem confundindo a realidade como nunca.

Manifestações públicas de ignorância me tiram do prumo, quando seus autores tendem a ser inflexíveis. Por que não aceitar de vez que opinião não é lei, justiça, nem sempre é amparo para quem dele necessita, tampouco verdade?

Ah, a verdade... Essa Dona Doída que tende a aparecer nua, crua, desleixada, avessa ao desejo vigente.

Não me importo de ser acordada pela conversa animada de um bando de maritacas. Não maldigo pássaros, árvores, café e dias de chuva. Tento não maldizer pessoas, mas frequentemente sou tentada por elas. Humana, pessoa que sou, acabo abrindo a boca, a alma, a cabeça, a porta de saída. Maldigo, desdigo, às vezes, cinco minutos depois, quero bem de um jeito que somente maritacas alucinadas entenderiam. Aquele jeito do quando cada sentimento grita, ao mesmo tempo, no nosso dentro.

Angustio-me com facilidade ao pensar no universo. O infinito me enche de desolação, porque remete à solidão que habita o sem-fim de quem sou. Já vi quem dormisse felicidade e acordasse rancor, como se aquelas horas, olhos fechados, tivessem se dedicado ferrenhamente a lapidar injúrias em um espírito frágil. Não foi cena bonita de se ver. Não foi período agradável de se viver.

A tristeza me inspira começos. Quando ela me atinge, desdenhosa e luxuriante, banco a temerária e me jogo ao desconhecido. Foi assim que aprendi a fazer crochê, torta de palmito, vestido. Pintei os cabelos de azul, as paredes de casa de amarelo. Estudei estrelas, outro idioma, as relações do eu com o misticismo. Aprendi a dançar bolero, entoar mantra, tive longas conversas com padres, pastores, benzedeiras e xamãs.

Sintonizei meu coração na consciência de que não gostamos dos mesmos livros, da mesma série, da mesma música, da mesma comida. Que seu Deus é o meu, ainda que você insista em dizer que não. E em vez de me desapontar com as nossas diferenças, decidi embarcar nelas, levando as minhas a tiracolo. Vai saber aonde nossas diferenças podem nos levar, certo?

Em tempo: manifestações públicas de afeto me encantam.

carladias.com

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3 comentários:

Zoraya disse...

Não maldigo pássaros, árvores, café e dias de chuva.
quero bem de um jeito que somente maritacas alucinadas entenderiam.
O infinito me enche de desolação, porque remete à solidão que habita o sem-fim de quem sou.
... Carla, desisti de selecionar excertos de seu texto. São tantas as referências, as belezas, os sem-fim de maravilhas, que seria melhor copiar o texto todo.
Acho q vc está apaixonada e essa é uma carta ao seu amor,para que ele saiba com que Princesa ele está lidando.
E se vc gosta de manifestações públicas de afeto, aqui vai uma: acho vc uma maravilha!
Beijos, Zo

lucina disse...

a cada dia mais encantada com seu olhar.bjsss lucina

Carla Dias disse...

Zoraya, estou sempre apaixonada, se não por alguém, por algo, quase sempre pelos dois ao mesmo tempo. Apaixonar-se diariamente faz parte da minha rotina. Beijos.

Lucina, minha cara, lindeza ler seu comentário, que sou eu quem venho me encantando pela sua música, e há tanto tempo. Beijo.