terça-feira, 6 de dezembro de 2016

NÓS E AS METÁFORAS >> Clara Braga

No início do caminho tudo é dúvida. Será que fiz a escolha certa? De onde surgiu mesmo a ideia de trilhar esse caminho dessa forma?

Antes que desse tempo de elaborar outras questões já deu a hora de começar a jornada, e é bem ali, na linha de partida, que somos logo contemplado com uma das imagens mais bonitas que já vimos na vida: um lindo nascer do sol aparece para dizer que mesmo que as coisas não saiam como planejamos, já valeu a pena.

E assim começamos. A jornada vai ser longa, e por mais que a gente se prepare para lidar com imprevistos, podemos sempre ser pegos de surpresa. E é por isso que quando, na parte mais difícil do percurso, começa aquele temporal, temos que estar abertos para a mudança repentina de estratégia. 

De que adianta querer repetir uma experiência anterior se as condições não são as mesmas?

A única regra é não desistir.

O caminho é longo, e por mais que a gente corra, o horizonte parece sempre distante. Os pensamentos voam, e depois de passarem vários filmes na cabeça chegamos a uma conclusão importantíssima: não precisamos carregar o mundo nem nas costas nem nos ombros, precisamos de leveza. 

Também não precisamos ir sozinhos, sempre temos quem vá com a gente e, o mais importante, respeite nosso ritmo. Alguns não vão ao nosso lado, mas a certeza de que estarão na chegada nos esperando de braços abertos também torna o caminho mais leve.

Quando vamos chegando ao fim desse caminho, dessa escolha, o foco é essencial. O cansaço parece maior que qualquer vontade de continuar, e é aí que entendemos que quem manda é nossa cabeça, por isso temos que estar sempre com a cabeça no lugar, lembrando sempre que para ter a cabeça no lugar é preciso se deixar levar, se perder de vez em quando. É preciso equilibrar nosso lado racional com nosso lado louco.

Aliás, desconfio que na vida estamos sempre buscando equilíbrio. Mas não, não era sobre a vida que eu queria falando, queria apenas compartilhar como foi a segunda meia maratona que consegui completar, mas percebi que corridas são belas metáforas da vida.


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