Pular para o conteúdo principal

A FOFA>> Analu Faria

Detesto ser chamada de “fofa”. Eu sei que a maioria das pessoas diz isso para elogiar. Vá lá: ser fofa é um elogio. O problema é que toda vez que alguém me diz que sou fofa, imagino que a pessoa que me elogiou me vê como uma bola fofa de algodão doce ou como aquele bonequinho da Michelin. É engraçadinho, divertidinho, docinho, tudo inho. Na sociedade capitalista, ser chamada de fofa é mal sinal.

Não consigo evitar. Não posso “desouvir” o “ai, que fofa!” direcionado a mim. Mais ainda: aparentemente, não consigo evitar um quê de fofura em muito do que faço. É claro que tenho um lado que às vezes dá um coice aqui, outro lá, mas estes são raros. O que me sai pelos poros mesmo é esse irritante vomitar de arco-íris, um troço perene, grudado à alma.

Como nesta vida quem tem um megafone para o ego é rei, os “fofos” como eu geralmente são vistos como “inhos” mesmo. Em áreas em que é preciso dinamismo e atitudes fortes, precisamos provar nosso valor dez vezes mais que a categoria dos humanos não-fofos. Também somos vistos com desconfiança, porque quem neste mundo fica tentando te ajudar à toa? Quem fica fazendo pequenos favores a quem quer que seja possível fazer favores? Não existe almoço grátis, não é mesmo?

Além disso, todo fofo é um pouco tímido e sobre as agruras de ser tímida não vou nem me alongar, só relembro ao leitor o que provavelmente já ouviu: uma pessoa tímida não aproveita as oportunidades, é confundida com alguém pedante, é ansiosa, parece insegura etc..

Então, você aí que está lendo, pode me fazer um favorzinho e, quando quiser dizer que sou bacana, me diz aí que eu sou adorável, formidável, sensacional, especial, mais que demais, super, massa, show, lindinha… pode até dizer que eu sou “top” (arrrgggghhhhh), mas não me chama de “fofa” não, por favor!

Comentários

sergio geia disse…
Que crônica fo..., quer dizer, adorável, Analu!
Zoraya disse…
Analu, você é adorável, formidável, sensacional, especial, mais que demais, super, massa, show, lindinha... e fofa! kkk. beijos fofos pela sua crônica fofínha!
Analu Faria disse…
Bgda, seus fofos!
Tarsila disse…
Incrivel, adorei, super te entendo . Voce é formidavel.
Muito divertida, Analu! :)

Postagens mais visitadas deste blog

MÃE – A MINHA, A SUA, TODAS
[Debora Bottcher]

Pessoalmente, não gosto de escrever sobre ‘datas especiais’ porque sempre me pergunto quem foi que inventou esses ‘dias de’ e baseado em que. É que apesar de eventuais evidências, eu me recuso a crer que essa ‘mágica’ idéia resiste ao tempo, à modernidade, às novas gerações, fincada apenas no foco de atiçar as vendas do quase-sempre-em-crise mercado comercial – digo ‘quase’ porque todas as vezes que vou ao shopping, em qualquer dia da semana, assombro-me com o movimento constante. Daí não tenho certeza de entender bem a base dos números e imagino sempre que é porque as estimativas são ousadas e otimistas demais, muito acima do poder aquisitivo da população média.
Seja como for, se me proponho a abordar o tema do momento – o ‘Dia das Mães’ - prefiro direcioná-lo à figura materna diretamente, para quem, certamente, tal dia é apenas uma vírgula no traçado de sua (árdua) trajetória. Não sou Mãe – que fique claro; portanto, para dedilhar (vagamente) sobre elas, vou me basear na minha, nas m…

EU ESTOU BEM >> Sergio Geia

Digamos que foi um susto. No último dia 11, eu voltava de Jacareí sentido Taubaté, seguia o fluxo normalmente quando no km 156 da Via Dutra, bem em frente ao posto de guarda, em São José dos Campos, os carros à minha frente — como em Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva —, simplesmente congelaram. De 80 km, naquele trecho, para zero, em fração de segundo. Não tive tempo de rezar (ah, como eu queria!), nem sequer olhar pelo retrovisor, descobrir se havia ou não uma carreta atrás de mim. Quando a ficha caiu, pisei fundo no freio, consegui não atingir o veículo à minha frente, mas, também, só por outra fração de segundo. De repente, uma sensação esquisita: eu senti a estocada, os objetos que estavam em cima do banco do carona voaram, logo meu veículo era arrastado até atingir o da frente.

Desci. Os motoristas dos outros quatro carros desceram, todos confusos, querendo entender. Os três primeiros carros, incluindo o meu, pequenos danos materiais, levíssimos diante do susto. O penúltimo e o …

À DISTÂNCIA (Paula Pimenta)

E se quiser recordar daquele nosso namoro
Quando eu ia viajar você caía no choro Eu chorando pela estrada Mas o que eu posso fazer Trabalhar é minha sina Eu gosto mesmo é d'ocê...
(Vital Farias)

Quem nunca namorou de longe, não vai conseguir entender metade do que eu vou escrever nessa crônica, porque só quem já passou por essa experiência sabe o quanto ela é difícil. Mesmo assim vou tentar explicar, para todas as vezes que vocês se depararem com alguém reclamando da ausência do namorado, não começarem com as manjadas frases que não fazem nada pela pessoa solitária: “Ah, mas pelo menos quando vocês se encontram tudo é festa, nem tem tempo pra brigar.” Ou: “O tempo está passando rapidinho, logo o próximo feriado chega.” Ou ainda: “É bom que no período que ele está longe você pode curtir com os amigos.”

Só quem namora à distância sabe o quanto essas frases são mentirosas. O tempo não está passando rapidinho, pode até passar pra quem está com o namorado do lado, podendo ir com ele ao cinema …