sexta-feira, 18 de setembro de 2015

PECADO CAPITAL >> Paulo Meireles Barguil


Esse era o título de uma novela há 40 anos, inspirado em música homônima composta por Paulinho de Viola, que começava assim: "Dinheiro na mão é vendaval / É vendaval!...".
 
Durante os últimos anos, milhões de brasileiros acharam que tinham encontrado a árvore que jorrava dinheiro ininterruptamente.
 
Ao mesmo tempo, poucos, bem poucos, sabiam que chegaria o minuto em que o embuste seria quebrado.
 
As badaladas estão soando...
 
Quem quer ouvir a verdade?
 
E mais, quem tem a coragem de enunciá-la?
 
A massa, atônita e perplexa com a realidade, que começa a ser desvelada, comporta-se tal qual uma criança mimada, que se recusa a ouvir um não e exige a perpetuação e a ampliação de direitos incongruentes.
 
Enquanto uns querem jogar pedra na Geni, outros querem retirá-la, como se ela fosse a culpada pelo esfarelamento da ilusão.
 
Quem quer ouvir a verdade?
 
E mais, quem tem a coragem de enunciá-la?
 
A situação é bem simples de ser entendida: o que acontece quando se gasta mais do que se ganha?
 
A gente precisa pedir dinheiro emprestado.
 
E se a gente continuar a gastar mais do que ganhar?
 
A dívida vai aumentar e a gente vai necessitar de mais grana para equilibrar as contas.
 
E a roda vida continua enquanto se tiver crédito na praça, o qual só se mantém se houver, pelo menos, o pagamento dos juros.
 
Quem quer ouvir a verdade?
 
E mais, quem tem a coragem de enunciá-la?
 
A correlação de forças é desigual, sem dúvida.
 
Ainda mais quando os profetas de ontem, seja por ignorância ou por outros motivos, se negam a assumir sua responsabilidade pelo sucedido e impedem, tal qual os poucos beneficiados com a pirâmide financeira global, de a multidão começar a entender a trama na qual ela, há séculos, é mera coadjuvante. 
 
Há quem diga que sete são os pecados capitais: avareza, ira, inveja, gula, luxúria, preguiça e soberba.
 
Registra-se, também, a existência de sete virtudes: generosidade, mansidão, caridade, temperança, castidade, diligência e humildade.
 
O acúmulo gera morte.
 
A partilha propicia vida.
 
A fatura final pode demorar, mas um dia chega, seja via postal, SMS ou bote inflável...


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Um comentário:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

"Mas é preciso viver..." :)