quarta-feira, 2 de setembro de 2015

HOUSE >> Carla Dias >>


Eu sei que frequentemente volto para o mesmo ponto. Mas estou tranquila a respeito, que depois de tanta vida, não acho que mudar esse aspecto irá beneficiar a ninguém, tampouco a mim.

Há três semanas, estive com amigos e falávamos sobre tudo. É o que acontece quando encontro com os amigos: perco o limite e abro a boca, principalmente se houver doses de café envolvidas. Assim, de música a novela, de tragédias alheias a questões pessoais, da época da adolescência ao momento este, agorinha mesmo, enfim, de tudo um pouco entra na conversa.

E sempre falamos sobre House...


Depois desse dia, decidi assistir novamente à série. As que eu estava seguindo chegavam ao fim e eu precisava dar um tempo em toda a informação que pipocava na minha cabeça.

Minha cabeça é esse lugar onde está sempre acontecendo alguma coisa, tipo um salão gigante cheio de pessoas falando ao mesmo tempo, tendo ideias ao mesmo tempo, exigindo atenção ao mesmo tempo.

Decidi que pararia com toda a maluquice do momento, apenas por alguns dias. De escrever os novos livros — sim, eu acabo sempre escrevendo dois ao mesmo tempo — , os textos em inglês para estudar o idioma, a leitura de livros — sim, eu sempre leio mais de um ao mesmo tempo – e minha mania de me apegar a certos filmes e assisti-los várias vezes seguidas. Entre isso e aquilo, há a minha rotina: trabalho que me toma quase doze horas por dia, a casa pra arrumar, a vida pra cuidar.


Pensei que eleger um único alvo para o meu interesse seria uma forma de relaxar mente e espírito, assim como combater a insônia, ao menos por um tempo.

Meu problema tem sido, desde sempre, a demasia. Às vezes, eu aceito me enganar e dizer que tem a ver com eu ser escorpiana. Sim... Eu uso essa desculpa. Mas o fato é que eu acredito completamente em mim, até cometer o primeiro exagero e me dar conta de que já foi... Eu passei do limite e me atrapalhei comigo mesma, mais uma vez.

House, M. D. foi uma série que adorei ter assistido, que me fez sofrer muito quando terminou. Comecei a assisti-la quando estava na quarta temporada, e nem foi porque me interessei pela série, mas porque descobri que no décimo quinto episódio da terceira temporada o Dave Matthews – sim, da Dave Matthews Band — participava. Só que sempre começo as séries pelo primeiro episódio, por mais tentador que seja ir direto ao ponto. Depois do primeiro episódio, eu já tinha sido conquistada.


Acontece que esse bate-papo com os amigos aconteceu há pouco mais de três semanas. Desde então, eu venho assistindo à série e estou no episódio vinte e três da terceira temporada. Isso significa que eu já assisti a sessenta e oito episódios enquanto trabalho quase doze horas por dia, escrevo dois romances, leio livros e tenho insônia. Nada mudou... Apenas o House entrou para a equação.

Tenho sim certo apego por determinados personagens. O médico gênio, excêntrico, sarcástico, viciado e sem noção é um deles. Por meio dessa figura amada e odiada, entre casos médicos e discussões insanas, há muito a ser observado. O aspecto humano é explorado em todas as vertentes, independente do que julgamos certo ou errado. Sem contar que o próprio ator que interpreta House é interessante em vários aspectos e isso claramente contribuiu muito com o sucesso da série.


Hugh Laurie é britânico, teve um programa de humor de grande sucesso com outro artista que eu adoro, o Stephen Fry, A Bit of Fry & Laurie. Tanto Laurie quanto Fry fizeram parte de um grupo de atores que incluía figuras como Emma Thompson e Kenneth Branagh. Assista Para o resto de nossas vidas (Peter’s Choice/1992).

Para o resto de nossas vidas

Ele é escritor com livros publicados. Além disso, é músico, lançou dois discos e fez um documentário muito bacana. Em Down By The River, Laurie mergulha no universo musical de Nova Orleans, trafegando pelo blues e pelo jazz.


O aspecto musical é algo que me agrada muito na série. Como Laurie, House é músico, talvez por isso a trilha sonora da série seja muito boa. Acontece de os pacientes também serem músicos, como no episódio nove da primeira temporada. Em DNR, um trompetista famoso tem uma doença que o deixa debilitado a ponto de ele não conseguir tocar. Também há o Half-Wit, que já citei aqui. Dave Matthews interpreta um pianista muito talentoso que começou a tocar depois de sofrer um acidente quando criança.


Criada por David Shore, House, M. D. é uma série sobre um personagem. Obviamente, ele está cercado de outros personagens interessantes, mas ele é o maestro e conduz a trama como a figura da qual os espectadores esperam qualquer tipo de loucura. House é um personagem que o espectador ama, às vezes odeia, mas certamente admira.

Tenho acompanhado a carreira de Hugh Laurie como ator e músico. Como artista versátil, ainda tem muito a oferecer aos que, feito eu, caem na conversa de um bom artista sem pestanejar.

E tudo bem se não der tempo de dormir...





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4 comentários:

Analu Faria disse...

Escolheu atividades sensacionais para preencher a insônia, Carla!
E quanto aos exageros: vc não está sozinha! A cada dia que passa encontro, principalmente nas artes, os exagerados como nós. :)

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Carla, admiro o bom uso que você faz da sua insônia.
Você também é um personagem versátil. :)

albir silva disse...

Carla, comecei a me interessar por esses seriados por sua causa.Suas crônicas são aulas.

Carla Dias disse...

Analu... Que bom saber dessa nossa parceria em tal exagero.

Eduardo... Acredite se quiser, mas isso eu aprendi desde criança. Lembro-me de quando não conseguia dormir e ficava brava porque, em determinado horário, a TV se enchia daqueles riscos e parava de funcionar do jeito que eu gostava: transmitindo filmes e séries.

Albir... Acho os seriados interessantíssimos. São novelas (eu sou noveleira confessa) mais requintadas. Adoro quando os roteiristas enfiam o pé na jaca.