quinta-feira, 3 de setembro de 2015

O PÉ DE MANJERICÃO >> Mariana Scherma

Toda vez que chego na casa dos meus pais, sou recepcionada por eles, claro. Mas também por um ser vivo que me comove e já virou o aroma lá de casa: um pé de manjericão. Eu saio do carro e ele está logo ali na rampa de entrada, pedindo pra que eu lhe dê aquele cheiro (alô, Bahia!) e eu dou um cheiro tão bem cheirado no manjericão que, praticamente, eu o inalo. Sim, eu cheiro manjericão. Mas é totalmente legal isso, confere?

Eu não lembro exatamente como aquele pé surgiu ali, de certo mami plantou uma mudinha que foi muito em frente. Mais em frente que eu no jornalismo, talvez. Ele é que deveria ser o orgulho da casa. No tempo seco, o pé dá uma murchada. No verão chuvoso, ele exala seu aroma de longe. De tão longe que chega até os vizinhos. E como minha casa não tem muro, os vizinhos vão lá pegar umas folhinhas para o molho e pizza de cada um. E você acha que o pé de manjericão se ressente de ser cutucado por quem não é de casa? Que nada! No dia seguinte, ele aparece ainda mais lindo e folhudo. E verdinho. Como é verdinho aquele manjericão.

Dia desses, mami começou a se chatear. O pé parecia que ia mesmo dessa pra melhor. Ela separou mudas, replantou, fez um carinho, sei lá a mágica que a mami fez, mas o pé virou uma floresta de manjericão. Ele só queria carinho, certeza. Já trouxe várias mudas para o meu apartamento, todas não duraram. Ou duraram dois dias no máximo. A culpa não é do manjericão. É da Mariana, que se esquece do sol, da água, do carinho e da fungada no manjericão. Quem sobrevive nesse mundo sem uma fungada decente?

O que eu acho mesmo é que aquele pé de aroma infinito é a representação do amor dos meus pais. Não há falta de chuva que abale. Não há terra seca que castigue. Não há terceiros que entrem no meio. É amor puro. Talvez por isso ele ganhe o terceiro abraço, sempre. Primeiro meu pai ou minha mãe, aquele que chegar primeiro. Depois, sou do manjericão. Pode parecer bobagem, mas manjericão pra mim tem cheiro de carinho. E que os deuses abençoem a pizza marguerita.

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4 comentários:

Solom ;) disse...

Analogia com a vida real é mera coincidência... kkkkk. Muito Bom!

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Mariana, sua crônica está tão gostosa quanto uma pizza margherita com borda de chocolate. :)

Analu Faria disse...

Eu, daqui, senti o cheiro desse manjericão!

Analu Faria disse...

Eu, daqui, senti o cheiro desse manjericão!