quinta-feira, 17 de setembro de 2015

INSISTENTES E PERSISTENTES >> Mariana Scherma

As pessoas não têm muito a noção exata do que é insistir e persistir. Insistir é ser chato, persistir é ser corajoso. Pra mim, pelo menos. Insistência tem a ver com não aceitar o não ou uma condição e querer mudar o imutável. Meio impossível. Persistência é sinônimo de ter fé e noção, lutar pelo que faz sentido. Tô errada?

Dia desses, um fulano do trabalho virou e me perguntou: “Quem você acha que ganha hoje?”. Pra mim, essa coisa de ganhar tem a ver com esporte e ponto. Por isso a minha resposta: “Mas o Corinthians joga hoje, é?”. O cara riu e disse: “Não, no MasterChef”. Sério, me senti uma ET. Sei tanto desse reality show quanto de física quântica, vidas passadas e como mandar bem no churrasco. Quem me conhece sabe: entendo zero de tudo isso. Eu respondi ao cara que nunca tinha assistido e ele me virou: “Mas você estava dizendo esses dias que não queria spoiler do MasterChef”. Eu não disse isso, avisei. Até porque tanto faz spoiler de algo que nunca vi, mas ele insistiu que eu tinha dito. O fato é que ele me confundiu com outra pessoa e não acreditou nas minhas próprias palavras. Gente doida.

Esse cara é o de menos no problema insistência (apesar de que querer saber mais do que você sobre seus hábitos de tevê é o fim). Mas e aqueles que não percebem que seu tempo passou e seguem insistindo, ligando, mandando e-mail e WhatsApp como se nada tivesse quebrado a relação de vocês? A arte de sair de campo realmente é uma arte. Quem sabe parar de insistir na hora certa acaba sendo lembrado com carinho, naquela “por onde anda fulano(a)?”. Quem vive fazendo a vida girar feito roda quadrada faz os dias serem mais chatos. Cansa dar perdido, cansa responder com poucas palavras e de um jeito blasé. Eu me convenço com duas frases murchas. Talvez eu seja pouco persistente, mas é um jeito de ser.

E isso vai além das relações cotidianas. Saber largar o osso, aproveitar a aposentadoria e deixar o sangue novo fluir. A vida é um palco e, para o show continuar, alguns saem e outros chegam. A gente é viciado em aplauso, mas o aplauso só tem graça quando você descobre o arrepio que o silêncio pode dar e, ao mesmo tempo, tranquilizar.


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Um comentário:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Beleza de distinção, Mariana. :)