Pular para o conteúdo principal

TÁ COM PREGUIÇA? VAI CORRER >> Mariana Scherma

Uma coisa sempre me diverte: pessoas explicando por que não fazem atividade física. Não tenho tempo. Não tenho dinheiro. Tenho um problema no joelho (que foi diagnosticado pela própria pessoa – que nunca estudou medicina). Dá preguiça. Ando estressado. Tá frio. Tá calor. Hoje não. Amanhã também não. Eu suo muito. Fui semana passada já. Não tenho roupa. Não gosto de academia. Quantidade meio sem fim! Com a recente pesquisa do Ministério do Esporte, várias dessas desculpas invadiram os jornais na semana e, caramba, como eu me diverti.

Eu sou dessas com zero preguiça pra esporte. Amo mexer o corpo por alguns motivos: é o único corpo que eu tenho, motivo suficiente pra ser bem cuidado. Depois da atividade física, fico mais feliz, cientificamente comprovado. Meu cérebro funciona melhor, fica mais oxigenado, sei lá... Qualquer roupa veste melhor. Quando bate a vontade, repito a sobremesa (ou a refeição principal) sem culpa. Por tudo isso, não entra na minha cabeça qualquer desculpa contra o esporte.

Até entendo a questão da grana, mas é possível caminhar e correr em parques e avenidas. É só querer. Mas parece que reclamar é mais fácil, tipo ficar no sofá e soltar sentenças sobre celebridades como: “é fácil pra ela ter esse corpo, tem tanto tempo livre, não precisa lavar louça, cuidar da casa, do filho”. É muito cômodo deixar pra depois ou nunca mais e ir aceitando a preguiça. Pra mim, não é uma delícia acordar cedinho no frio, mas meu foco fica sempre no depois, os benefícios que vêm. A gente acaba sendo um pouco desonesto com nosso próprio bem-estar por pura preguiça. Afinal, é frase feita, mas é verdade: quem quer faz, quem não quer arruma desculpa.

Depois, vem o esporte preferido da turma da preguiça: reclamar. Ai, não entro mais naquela calça. Estou sem fôlego. Minha celulite aumentou. Engordei demais. Odeio quem gosta de malhar. Que raiva de quem é magro. Enfim... Eu não estou criticando quem é sedentário e só, o questionamento é sobre sentar no sofá e julgar a galera fitness. Quando temos preguiça de cuidar de nós mesmos, como vamos cuidar bem dos outros? Vou dividir com vocês uma frase da atriz Jennifer Aniston que disse algo como, “não importa se você se exercita 20 minutos ou duas horas, o importante é dar uma suada. Sair do conforto”. Isso não vale só para o esporte, vale pra tudo na vida: a gente só conquista o que quer quando corre atrás.

Comentários

Bicicleta vale, Mariana? :)
Leveza de crônica!

Postagens mais visitadas deste blog

MÃE – A MINHA, A SUA, TODAS
[Debora Bottcher]

Pessoalmente, não gosto de escrever sobre ‘datas especiais’ porque sempre me pergunto quem foi que inventou esses ‘dias de’ e baseado em que. É que apesar de eventuais evidências, eu me recuso a crer que essa ‘mágica’ idéia resiste ao tempo, à modernidade, às novas gerações, fincada apenas no foco de atiçar as vendas do quase-sempre-em-crise mercado comercial – digo ‘quase’ porque todas as vezes que vou ao shopping, em qualquer dia da semana, assombro-me com o movimento constante. Daí não tenho certeza de entender bem a base dos números e imagino sempre que é porque as estimativas são ousadas e otimistas demais, muito acima do poder aquisitivo da população média.
Seja como for, se me proponho a abordar o tema do momento – o ‘Dia das Mães’ - prefiro direcioná-lo à figura materna diretamente, para quem, certamente, tal dia é apenas uma vírgula no traçado de sua (árdua) trajetória. Não sou Mãe – que fique claro; portanto, para dedilhar (vagamente) sobre elas, vou me basear na minha, nas m…

À DISTÂNCIA (Paula Pimenta)

E se quiser recordar daquele nosso namoro
Quando eu ia viajar você caía no choro Eu chorando pela estrada Mas o que eu posso fazer Trabalhar é minha sina Eu gosto mesmo é d'ocê...
(Vital Farias)

Quem nunca namorou de longe, não vai conseguir entender metade do que eu vou escrever nessa crônica, porque só quem já passou por essa experiência sabe o quanto ela é difícil. Mesmo assim vou tentar explicar, para todas as vezes que vocês se depararem com alguém reclamando da ausência do namorado, não começarem com as manjadas frases que não fazem nada pela pessoa solitária: “Ah, mas pelo menos quando vocês se encontram tudo é festa, nem tem tempo pra brigar.” Ou: “O tempo está passando rapidinho, logo o próximo feriado chega.” Ou ainda: “É bom que no período que ele está longe você pode curtir com os amigos.”

Só quem namora à distância sabe o quanto essas frases são mentirosas. O tempo não está passando rapidinho, pode até passar pra quem está com o namorado do lado, podendo ir com ele ao cinema …

EU ESTOU BEM >> Sergio Geia

Digamos que foi um susto. No último dia 11, eu voltava de Jacareí sentido Taubaté, seguia o fluxo normalmente quando no km 156 da Via Dutra, bem em frente ao posto de guarda, em São José dos Campos, os carros à minha frente — como em Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva —, simplesmente congelaram. De 80 km, naquele trecho, para zero, em fração de segundo. Não tive tempo de rezar (ah, como eu queria!), nem sequer olhar pelo retrovisor, descobrir se havia ou não uma carreta atrás de mim. Quando a ficha caiu, pisei fundo no freio, consegui não atingir o veículo à minha frente, mas, também, só por outra fração de segundo. De repente, uma sensação esquisita: eu senti a estocada, os objetos que estavam em cima do banco do carona voaram, logo meu veículo era arrastado até atingir o da frente.

Desci. Os motoristas dos outros quatro carros desceram, todos confusos, querendo entender. Os três primeiros carros, incluindo o meu, pequenos danos materiais, levíssimos diante do susto. O penúltimo e o …