quinta-feira, 11 de junho de 2015

SOBRE O AMOR INTEGRAL E BOICOTES >> Mariana Scherma

A primeira vez que eu vi a propaganda do Dia dos Namorados, de O Boticário, pensei comigo: “que lindo! E que bom que as pessoas estão tornando o amor mais real, sem preconceito!”. Depois, vi com meus pais e chegamos à mesma conclusão. É em casa que a gente aprende que preconceito só atrasa. Amor vai ser sempre amor, não importa se hetero, homo ou qualquer outra denominação. Todo mundo tem direito de gostar de alguém, seja ele branco, negro, amarelo, homem, mulher ou inventado.

Mas aí teve até uma reclamação no site Reclame Aqui de uma mulher insatisfeita por “ver a banalização das famílias no modelo tradicional”. Oi?! Ela diz mudar de canal toda vez que vê uma cena gay e não quer que seus filhos assistam à propaganda. Oi?! De novo. Toda vez que eu me deparo com esse tipo de preconceito, cresce uma revolta tão grande dentro de mim que fica impossível engolir e continuar, tipo engolir sapo, sabe? Dessa vez, não vou engolir e ainda vou dizer umas duas ou três coisinhas a esse tipo de gente carregada e pesada de tanto preconceito neste espaço. Desculpe-me você que não pensa como essa senhora, mas vamos lá:

Alguns de meus melhores amigos são gays. E também são as pessoas mais honestas que eu já encontrei pelo caminho. Eles doam sangue, doam brinquedos para as crianças mais necessitadas, pagam seus impostos em dia, votam com consciência, não param em vagas de idosos, enfim, agem com consciência de cidadão, que sabe ter deveres e direitos. Você, pessoa cheia de preconceito, acha que um homossexual, só por gostar de alguém do mesmo sexo, perde seu valor como pessoa? Jamais.

Uma vez, um amigo gay me disse que ele gosta da alma de um parceiro, independente de ser mulher ou homem. Você, pessoa carregada de preconceito, já se apaixonou pela alma de alguém? Ou prefere dar valor às posses, porte físico e cor dos olhos?

Conversando ainda com um amigo, disse a ele que não veria problema se meu filho fosse homossexual, porque me considero sem preconceito e blábláblá. Sabe o que me amigo me respondeu? Que seria melhor que meu filho nascesse hetero mesmo, porque o mundo é mais duro com os gays. Fiquei pensando nisso e hoje tenho a resposta ao meu amigo: não é o mundo que é duro, mas algumas (muitas) pessoas que são e fazem o dia a dia de pessoas tão pessoas como a gente mais difícil, mais sofrido.

Não deveria ser assim. Eu, hetero, nem faço ideia de todo o sofrimento que os homossexuais enfrentam, mas sei que eles não deveriam sofrer nenhum tipo de preconceito só porque amam. Amar deveria ser sinônimo de liberdade. Amar deveria ser fácil.


Boicotar marcas que sejam gay friendly é o mesmo que boicotar gente sem preconceito, gente que não distingue amor. Que triste dia dos namorados esse pessoal vai ter, sem saber o que é amor de verdade. Talvez esse já seja um grande castigo. Nem vou desejar mal.


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