sexta-feira, 25 de julho de 2014

CRER SEM VER >> Paulo Meireles Barguil

A realidade não pode ser compreendida inteiramente pelo Homem.
 
Brincamos, então, de elaborar sentidos, que nos permitam uma maior aproximação e, assim, aquietem, mesmo que brevemente, o nosso espírito.

A cada descoberta, a pessoa é invadida por sentimentos antagônicos: por um lado, sua percepção do mundo se amplia, por outro, surgem sombras antes sequer imaginadas.

Iluminar, portanto, aumenta não somente a área visualizada, mas, também, a cortinada. Que paradoxo fascinante!

Diante dessa constatação, é compreensível que alguém defenda a inutilidade do conhecer, afinal o ignorado só cresce!

O espírito, contudo, refuta essa proposta e se movimenta, com intensidade variada, em direção ao infinito.

Eu admito: na maior parte das vezes, só consigo ver o que creio e só acredito no que minha mente é capaz de perceber.

Este é um dos fatores que mais influenciam a velocidade do deslocamento, bem como a sua direção.

Somos diferentes  e cada vez mais!  em virtude da herança biológica e da bagagem experiencial.

Ninguém pode ver e sentir o mundo como eu.

Da mesma forma, sou incapaz de olhar e apreciar a totalidade como outra pessoa.

Esse é o maior desafio atual nos relacionamentos, independente de que tipo: romântico, educacional, profissional...

Acredito, contudo, que é possível  e necessário!  construir um diálogo entre as pessoas, o qual só acontece quando ele é razoavelmente estabelecido internamente, acolhendo, e não sufocando, as diferentes vozes.

A felicidade, tal como falou Cristo para Tomé (Jo 20, 29), reside em crer sem ver.

O convite, portanto, é aceitar que nada há para ser ensinado, apenas partilhado, e nada há para ser aprendido, apenas degustado.

Acreditar e duvidar, ao mesmo tempo, com igual intensidade, tal como foi cantado pelos Engenheiros do Hawaii, em Realidade Virtual, de modo que eles se fundam e me deixem em paz!


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Um comentário:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Muito bom, professor Paulo! :)