quarta-feira, 3 de abril de 2013

DIÁLOGOS >> Carla Dias >>


Eu queria saber escrever roteiro. Já escrevi aqui sobre a minha tentativa em escrevê-lo, e venho alugando a paciência de um amigo roteirista há um bom tempo com esse meu desejo. Dei-me conta, por exemplo, de que comecei a escrever esse roteiro em 2001. São doze anos brincando com a mesma história, escrevendo e reescrevendo, melhorando conforme vou aprendendo. O enredo não mudou, mas como acontece aos meus romances, eu vou lapidando a forma de contá-lo, até chegar a uma versão que me apeteça.

Há um problema que tenho a respeito de roteiros: eu adoro diálogos, algo que venho suprimindo da minha prosa nos últimos anos, mas que em roteiros caem lindamente. Só que, como aquele meu amigo pobre coitado por me aguentar e roteirista me disse, um filme tem a ver com imagens. Não que os diálogos não sejam importantes, que a trama não tenha de ser muito bem amarrada, mas é preciso dar ao espectador com o que encher os olhos.




Em momentos de reflexão desse calibre, sempre penso no Woody Allen, que como roteirista e diretor faz filmes com grande destaque para os diálogos. Também gosto dos filmes de Edward Burns, mais conhecido como ator e por filmes como Uma vida em sete dias (Life or Something Like It/2002) e Vestida para casar (27 Dresses/2008). Desde Os Irmãos McMullen  (The Brothers McMullen/1995), sua estreia como roteirista e diretor, eu venho acompanhando seu trabalho.

Para uma escritora que raramente fala sobre atributos físicos de seus personagens, e que muito pouco descreve cenários em seus livros, embarcar na onda do roteiro é um pouco complicado. Na vida, ao entrar em um lugar cheio de pessoas, vocês podem ter certeza de que não prestarei atenção às paredes do lugar, às cores das cortinas, ao tipo de piso, modelos de roupas e por aí vai. Certamente, dançarão diante dos meus olhos os gestos dessas pessoas, suas feições, a forma como se movem pelo recinto. Ressoarão na minha memória suas palavras, a intensidade com a qual falam sobre seus ideais. Sobre isso eu falaria com a maior propriedade em outro momento. Sobre o lugar, certamente teria esquecido até o endereço em algumas horas.



A ideia de escrever um roteiro me ajuda de muitas maneiras. Primeiro, é divertido aprender, então dificilmente ficarei entediada com as tentativas. Frustrada, certamente. Entediada, nunca. Se enquanto escrevo a minha prosa, a história passa em minha cabeça como cenas de cinema, e com a maior desenvoltura, ao tentar escrever um roteiro eu me pego tropeçando no caminho e nas palavras, o que é irônico, não? Acho que se meus pensamentos pudessem ser fotografados, enquanto escrevo, eu teria um filme pronto.




Algo que nunca muda com as minhas revisões, não importa a linguagem que eu use, é a ideia original. Depois de colocados no papel, os personagens e seus destinos continuam os mesmos. A forma como eles acontecem é que pode sofrer algumas mudanças.




O que posso dizer é que, se um dia eu me tornar uma roteirista e alguém se interessar em levar a história para as telas, bem, a produção vai adorar saber que gastará pouco com locações e figurino.






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3 comentários:

Anônimo disse...

Para uma escritora que raramente fala sobre atributos físicos de seus personagens, e que muito pouco descreve cenários em seus livros, embarcar na onda do roteiro é um pouco complicado. Na vida, ao entrar em um lugar cheio de pessoas, vocês podem ter certeza de que não prestarei atenção às paredes do lugar, às cores das cortinas, ao tipo de piso, modelos de roupas e por aí vai. Certamente, dançarão diante dos meus olhos os gestos dessas pessoas, suas feições, a forma como se movem pelo recinto. Ressoarão na minha memória suas palavras, a intensidade com a qual falam sobre seus ideais. Sobre isso eu falaria com a maior propriedade em outro momento. Sobre o lugar, certamente teria esquecido até o endereço em algumas horas.

Céus... eu não preciso nada além disso.... (ok, peço desculpas pela minha mediocridade, mas que isso é tudo ninguém pode negar....)

Abs,
Vera Menezes

albir disse...

Enquanto isso, Carla, vai nos mostrando suas tentativas. Se não estiver bom pro cinema, vai estar ótima pros seus leitores.

Carla Dias disse...

Vera... Obrigada pela visita. Um beijo.

Albir... Ufa! Ainda bem que não serão roteiros perdidos :)