quinta-feira, 30 de agosto de 2012

UM PULINHO EM CÓRDOBA
>> FERNANDA PINHO




Córdoba era uma frustração em minha vida porque eu detesto "quase" e certa vez quase estive lá. Eu estava no nordeste a trabalho, de onde deveria seguir para a Argentina, mas o evento que eu cobriria foi cancelado e a viagem nunca aconteceu. Uma frustração que pairava no ar sempre que a Córdoba era mencionada, o que não era raro já que tenho um amigo que morou por lá e é um verdadeiro entusiasta da cidade.

Mas então, semana passada tivemos uma ideia. Vamos pra Córdoba? Vamos. Quando? Sábado. E fomos. Com uma mala, uns mapas toscos que eu imprimi do Google, algumas dicas do amigo entusiasta e nenhum planejamento.

Qualquer viagem que parte daqui de Santiago já começa bem com o espetacular cruzamento da Cordilheira dos Andes que, a essa altura do ano, está branquinha como montanhas de embalagem de chocolate. Não demorou muito e chegamos ao nosso destino. Voo rápido. Como de Belo Horizonte a São Paulo, me apressei em dizer (acho que estou ficando um pouco chata, para tudo tenho uma comparação com o Brasil).

A simpatia e educação do taxista que nos pegou no aeroporto já acabaram de cara com o preconceito que nós brasileiros (e os chilenos também) temos com os argentinos. Foi a primeira das agradáveis surpresas.

Quando começamos a caminhar pelo centro histórico, a cidade fazia sua habitual sesta. Mas, aos poucos, museus, cafés, igrejas, palácios e simpáticas lojinhas de alfajores iam ficando de portas abertas para nós. A cada lugar que visitávamos, nos sentíamos gratos por termos nos proporcionado essa viagem de sopetão. E nos sentíamos cada vez mais encantados pelo povo (o taxista era regra, não exceção). Percebemos que, além da educação, eles carregam uma tranquilidade revelada pela fala lenta. Ouso a dizer que Córdoba é a Bahia da Argentina. Uma Bahia sem axé, mas com tango. Nunca pensei em sair para jantar e me deparar com vários casais de todas as idades dançando tango em plena praça pública.

A dança foi a entrada para um jantar dos deuses. Aliás, todas as refeições eram dos deuses. Defensores dos animais, tenham compaixão de mim. Mas aquele entrecorte, hummmm, é de

 arrancar uma lágrima de emoção (e muitos litros de saliva) só pela lembrança. As carnes, os pães, os doces, o tradicional Chorripan (pão com linguiça), tudo delicioso e sempre servido em locais aconchegantes. Na nossa última noite, aliás, fomos a um restaurante (chamado Mandarina, se um dia você for a Córdoba não deixe de conhecer) que nos recebeu ao som de Gilberto Gil. Aí eu não tive dúvidas, é mesmo a Bahia da Argentina. E onde é Bahia, só pode ser bom.

Córdoba foi promovida de quase-viagem para viagem-surpresa-incrível e eu adquiri novas figurinhas para meu álbum de boas lembranças.



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3 comentários:

Gustavo Guimarães disse...

Realmente, Fernanda. Nos acostumamos a generalizar a antipatia do futebol para com o povo argentino, ilusão criada pelas transmissões globais. Aqui conheço 3. Todos da melhor qualidade.

Zoraya disse...

Isso mesmo Fernanda, eu tambem sempre defendo o povo argentino,hospitaleiro, simpático, educado. Fui muitíssimo bem tratada em Buenos Aires, e, sério, quem dera uma pequena parcela dos que falam mal de argentinos fossem tão bacanas quanto eles.

albir disse...

Fernanda,
o melhor de tudo isso é que também podemos viajar nas asas de suas crônicas.