quarta-feira, 20 de junho de 2012

LIKE CRAZY >> Carla Dias >>



Vivemos em processo de idealização e desapontamento. Não há como negar que, sempre que possível, criamos versões para desfechos sobre os quais não temos qualquer poder de mudança, esperando sempre pelo melhor para nós mesmos e para quem amamos.

Não acho isso errado, contanto que saibamos lidar com os possíveis – e frequentes – resultados diferentes e, às vezes, até mesmo contrários aos esperados. É preciso saber desapontar-se.

Like Crazy (2011) aborda bem o tema da idealização, mas de uma forma quase hipnótica, porque, neste caso, o idealizado aconteceu, mas se perdeu nos acontecimentos.

No filme, uma jovem britânica conhece um jovem americano em uma faculdade em Los Angeles, nos Estados Unidos. Eles se apaixonam, ficam juntos durante o tempo que resta da faculdade e então o visto dela expira. Ela tem de voltar para a Inglaterra para fazer a renovação, mas vislumbrando o tempo que teria de ficar longe do seu namorado, decide adiar a viagem, perdendo o prazo para renovação do visto. Quando tenta entrar nos Estados Unidos, com visto de turista, descobre que aquela infração a impedia de entrar no país. A partir daí, Anna e Jacob passam a viver um relacionamento a distância.



Separar duas pessoas completamente apaixonadas por continente é lançá-las ao inesperado. Ainda que nelas sobreviva a noção de que o amor é tão grande que não há como se dobrar à situação, na prática a vida ensina que essa expectativa é das mais traiçoeiras. E quanto maior o amor, mais a falta talha desamparo no espírito desses amantes.

Like Crazy é um filme que lida com delicadeza das emoções mais facilmente decifráveis às que surgem quando o desejo não é atendido, mas sem perder a tensão quando acontecem. O diretor e corroteirista Drake Doremus fez um ótimo trabalho, o que ajuda a destacar as atuações dos protagonistas Felicity Jones e Anton Yelchin. Eles estão ótimos para um filme que dá destaque à atuação e com diálogos muito bem escritos.

É muito interessante a forma como o desfecho do filme é apresentado. Todas as situações que antecederam aquele momento apontavam para ele. Ainda assim, o diretor conseguiu chegar a ele de uma maneira peculiar. É possível enxergar, na cena final, o quanto somos movidos a expectativas que não estamos preparados para descartar, quando a não realização delas instala um vazio incapaz de ser preenchido com outra história, até aceitarmos que sim, a distância modifica relacionamentos.

E o Like Crazy que dá título ao filme é uma das coisas mais bacanas nele.



Partilhar

3 comentários:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Carla, você e essa sua talentosa mania de fazer a gente ter vontade de ver certos filmes que não veria de outra forma. :)

Zoraya disse...

Carla, Eduardo tem toda a razao. Mas eu tenho certeza de que o seu olhar e o seu escrever fazem de qualquer coisa algo muito melhor do que é na realidade. Acho que vou te pedir para resenhar alguns filmes pra mim. E sim, a distância faz toda a diferença. beijs

Carla Dias disse...

Eduardo e Zoraya... Acho que o meu hábito de escrever somente sobre o que gosto quando se trata de arte, acaba transmitindo a minha real empolgação com o que leio, escuto e assisto. Sei que gosto é pessoal, mas às vezes é isso mesmo... Deixamos de conferir certas cosias porque cada um de nós tem o próprio método de triagem. Acho que derrubei o meu, então, me arrisco a conferir tudo e selecionar o que me agrada.
Zoraya, pode mandar que eu resenho os filmes :)
Beijos!