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CORRENTE DO BEM >> Clara Braga

Sei que já disse isso aqui antes, mas vou repetir mesmo assim: não acredito que exista alguém que saiba de fato lidar com a morte de algum ente querido. Sei que tem os que lidam melhor, outros que lidam pior e tem até os que surtam de vez, mas alguém que tenha uma fórmula mágica e diga: É assim que se deve lidar com a morte, nisso eu não acredito!

Falo isso pois outro dia fiquei muito feliz, e por que não dizer emocionada, com a atitude de uma colega e sua família. Faz um ano que ela perdeu o irmão em um acidente de carro. Não entrei em detalhes, não sei como foi o acidente nem nada do tipo, mas isso também não vem ao caso. O fato é que ela e a família arrumaram uma forma muito bonita de tentar de alguma forma amenizar a dor que é perder alguém que você ama, principalmente de uma forma brusca e inesperada.

É muito comum perceber em qualquer pessoa que acabou de perder alguém que ama um sentimento de urgência. Parece que cai a ficha e todo mundo percebe que a vida é muito curta, que não se pode deixar as coisas para depois, pois a verdade é que não sabemos quanto tempo nós temos para fazer tudo que queremos fazer. Mas nessa minha colega bateu também um outro sentimento, o sentimento de precisar fazer o bem ao próximo.

Uma vez ela disse que o irmão dela era uma pessoa que estava sempre pronta para ajudar, sempre preocupado com as pessoas, sempre buscando o bem. E por não ser uma característica que se encontre fácil em qualquer pessoa, alguém precisava suprir essa vontade que ele tinha de fazer o bem. Então ela e a família começaram uma corrente do bem pelo facebook e todos os dias há um ano eles postam sugestões das mais simples até as mais complexas de coisas que qualquer pessoa pode fazer para ajudar o próximo ou simplesmente para fazer com que os nossos dias sejam um pouco mais leves.

Por ter ficado tocada com a atitude dessa família que tinha tudo para ficar pelos cantos se lamentando ou achando que o mundo não é justo, que eu peço para todos que lerem essa crônica hoje que procurem também propagar o bem. Pode ser dando um simples sorriso para uma pessoa que passar por você, ou desejando bom dia para as pessoas, ou então dando um prato de comida para alguém que está com fome. Não precisa ser difícil, pode ser apenas oferecendo o ombro para aquela amiga ou amigo que está passando por um momento difícil, ou mandando um e-mail para aquela pessoa com quem você não fala há muito tempo e dizer que sente saudades, não interessa o que você vai fazer, interessa apenas que faça sua parte para que nossos dias e nossas relações com aquelas pessoas com quem convivemos sejam mais leves.

Comentários

Vicente Lima disse…
Usando da brecha deixada por você, Clara, deixo a todos vocês cronista o meu agradecimento puro, sincero, vindouro da alma. Os dias brilham diferente por ter suas obras de arte.
Muito obrigado.
Isso mesmo, Clara. Essa é a corrente que, em vez de prender, liberta.

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