terça-feira, 24 de novembro de 2009

PERIGO: CASAMENTO
>> Felipe Peixoto Braga Netto


Casar é perigoso.

Eu nunca afirmo nada sem provas, então vamos a elas.

Ontem, caminhando à noite ali pela região hospitalar, estava calor. Sabe aquela igreja que fica em frente aos hospitais? Pois bem, havia um casamento, havia convidados, noiva, noivo e até padre. Não sei se foi o calor, não sei, mas o noivo, caminhando para o altar, achou melhor cair, e caiu mesmo. Caiu tão caidamente que se machucou. Levaram o pobre para o hospital em frente. Foram todos, até o padre. A noiva também, de vestido e tudo. E eu, fiel repórter que sou, afirmo que até onde soube o noivo se feriu gravemente, e talvez não houvesse mais casamento.

Falo com certo tom irônico e sinto culpa porque, afinal de contas, pareciam boa gente, devem ter se esforçado para pagar tudo aquilo, casar é caro. Além de perigoso.

Na mesma ocasião, soube de outra prova irrefutável.

Nesta mesma cidade, isso faz algum tempo, houve casamento. Esse pelo menos aconteceu, o padre cumpriu seu dever. Mas, depois do casamento, costuma haver festas. E não se pode comemorar nada antes que o jogo acabe, todo mundo sabe. Na festa o noivo começou a se sentir mal. Na verdade já estava se sentindo assim antes. É falta de açúcar, alguém acusou. Come esse docinho aqui. E o noivo comeu docinho. E todos comeram e beberam. O mal-estar do noivo, porém, não gostava de doce, pois continuou. E lá foram levar o noivo para o hospital, vários amigos de terno, aquela coisa de certo modo divertida.

Chegaram, o hospital achou que era só bebedeira de rapazes, tudo ficaria bem.

Não ficou. O noivo decidiu morrer minutos depois. Parada cardíaca.

Eu falei, casar é perigoso.




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7 comentários:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Bem divertido, Felipe. Mas não posso deixar de perguntar... Tá com medo de encarar? :)

Anônimo disse...

Ahh....pode ser perigoso...mas eu quero de novo...tem alguém ai que se habilite?...rssss

Guimarães Rosa já sentenciou:
"VIVER É PERIGOSO"

um beijo e um queijo
klaudya

Sam Green disse...

Fala, Felipe!
Cara, tô dando ataques de riso aqui no meu quarto agora. Sei que não devia, mas só de imaginar a cena começo a lacrimejar de tanto rir!
E no caso do primeiro casamento, não foi o padre que não cumpriu o seu dever e sim o noivo, neh? kkkk.
Mas sabe que já tô até começando a ficar com medo disso também.
Já no caso do segundo casamento, será que foi culpa da sogra? Talvez ela tenha feito o docinho. Eu pensei que o noivo só comia o docinho feito pelos sogros depois da festa. Aiaiai. Parece que foi muita pressão! Pelo menos o coitado sofreu por pouco tempo e pôde descansar em paz.
Grande abraço Felipe. PARABÉÉNS!

Lucas Conrado disse...

Pra variar um pouco, Felipe dando show em suas crônicas! E realmente, casar é muito perigoso!

Cláudia disse...

Felipe, se você sobreviver à "perigosa" cerimônia, não sabe o que te espera depois...

Debora Bottcher disse...

Ai, concordo plenamente! Da primeira vez que me casei quase morri - sim, literalmente. Da segunda, ainda estou a sobreviver. :)
Beijo.

Anônimo disse...

Olá gente!!

Puxa, obrigado, de verdade, pela leitura e pelas mensagens.

Passei umas semanas - supremo pecado - sem dar um pulinho aqui. Volto hoje pra ficar. Rs...

Ao Eduardo, Kláudia, Sam Green, Lucas Conrado (escritor dos bons), Cláudia e Débora, meu muito obrigado, abração!!

Felipe Peixoto