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SÁBADO >> Whisner Fraga

A menina acorda e caminha, confusa, pela manhã que se espreguiça nas sombras.

A menina pergunta pelas amigas, que devem se demorar mais um pouco na brandura da preguiça.

As casas silenciam dramas inconsoláveis, que só podemos imaginar, embora não nos  interesse muito.

A menina embosca o patinete, enquanto afronta o céu, cobrando um sol.

Ela tem pressa e o relógio mói o desânimo de exatidões.

A menina não consegue trapacear com o tempo. E emburra.

Volta para a varanda e o dia parece em greve.

Dez horas depois e só se passaram quarenta e oito minutos.

A menina tenta de novo: já posso chamar minha amiga?, mas sabe a resposta.

A menina, a todo o momento, quer ouvir respostas que já conhece.

Ela anuncia que vai voltar para a cama: cochila e se agita: elas vieram?

Nada, menina, e vai ficando tarde, quase almoço.

Ela pede para procurar as amigas. Pode. Tenta a casa de uma e depois de outra e ninguém atende, nem ali nem lá. Onde estarão? Estão bravas comigo? Saíram juntas e me deixaram?

Retorna e as duas a esperam, uma surpresa trêmula.

A menina cresce.

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