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ME JULGUE >> Mariana Scherma





Várias vezes eu já ouvi e li pessoas que terminam posts de redes sociais escrevendo “Me julgue”. Gente, sério, por quê? Exemplos: “Malhei nem sei quanto e estou aqui comendo um lanchão. Me julguem”. Não, obrigada. “Fazendo faxina ouvindo Raça Negra. Me julguem”. Pode até ser de brincadeira o “me julgue”. Mas não julgo mesmo. Eu só julgo quem fica pedindo pra desconhecidos ou levemente conhecidos julgarem suas ações. Por quê isso, sabe? A gente não é celebridade da internet para precisar de aprovação alheia. Se você for, desculpa: esse não é um texto para você.

Essa história de julgar alguém deveria ficar restrita para juízes, com todas as suas provas e advogados amparando (mesmo assim, às vezes rolam injustiças). Não para nós, pessoas de fora dos tribunais. Ok, sem querer, a gente vai lá, julga o outro e acaba cometendo um preconceito horrível, impossibilitando uma amizade ou qualquer coisa. Mas pedir para ser julgado em rede social? Ah, não. Aprovação de desconhecidos e pessoas aleatórias é algo tão necessário quanto ter um elefante na garagem.

Isso me faz pensar que rede social só existe para que a gente receba a aprovação alheia. E deve ser mesmo. Os algoritmos devem funcionar como o dono de um cachorro dando biscoitos pra cada coisa correta que o pet faz. Você ganha uma curtida, fica todo cheio de si, vai lá e posta mais alguma coisa. O contrário também vale. Você postou uma foto em que está se achando lindão/lindona. Mas, se depois de uns 15 minutos ninguém curtir, socorro: sua autoestima desse pelo ralo. Se for sempre com esse pensamento que a gente postasse qualquer coisa, melhor nem ter rede social. Rede social pra mim tem funcionado mais como um álbum de recordações. Até porque nunca mais imprimi fotos. Mas sei que, para uma galera, virou uma questão de ser aprovado. De aparecer. De fazer ciúme. De querer ser famoso só pra ser famoso.

Vamos ser bem sinceros: excesso de curtidas não quer dizer nada. Nem um tantão de seguidores e possíveis amigos. Principalmente com ferramentas que tornam possível comprar seguidores, com hashtags próprias para ganhar um likezinho esperto. É como um negócio que envolva marketing digital mesmo: você pode ter centenas/milhares de curtidas em uma foto e não vender seu produto (no marketing) ou se sentir uma porcaria (na vida). Se a gente mesmo não acreditar no nosso diferencial, danem-se as curtidas. É só uma métrica pra se envaidecer. Os seus milhares de amigos e seguidores das redes sociais não vão estar ao seu lado quando você precisar. Podem no máximo assistir ao passo a passo da sua dor, carência ou sei lá o quê.

A real? Pessoas que estão de bem consigo mesmas, com a maior parte dos dias ensolarados em vez de nublados, não precisam de ninguém as julgando. Não precisam de likes nem de palanques virtuais. E muito menos pedem julgamentos. Elas podem se envaidecer com uma postagem bem curtida, claro. Ninguém é de ferro. Vaidade faz parte. Mas pessoas seguras de si não vão PEDIR para que os outros as julguem. Por mais brincadeira que seja o termo me julgue em rede social, claro... Só pense bem se ele não está ocultando uma necessidade sua de ser aceito sei lá onde.

Comentários

Carla Dias disse…
Também penso nas redes sociais como um tipo de álbum de recordações, um lugar para compartilhar histórias. Apesar de fazermos nas redes sociais ou que fazemos desde sempre, só que amplificado e espalhado pelo mundo. Mas a grande questão é que, ao pedirmos o que realmente não desejamos, podemos nos dar mal. Duvido que quem pede para ser julgado tenha mesmo esse desejo.