domingo, 17 de julho de 2016

PERDER >> Eduardo Loureiro Jr.

"Perder é a pior coisa do mundo", disse meu sobrinho Enzo enquanto perdia uma partida de Pokémon (um jogo de cartas colecionáveis, para quem não sabia). Eu discordei do Enzo, e disse que a pior coisa do mundo era adoecer. Depois, já em casa, cheguei à conclusão de que ele estava certo, pois para mim a pior coisa do mundo é perder a saúde.

Perder é mesmo de entristecer. Quem já perdeu ônibus em beira de estrada, tendo que esperar trinta minutos ao sol pelo ônibus seguinte, sabe como é. Quem já perdeu amor por abandono, traição ou morte, sabe como é. Quem já perdeu pai e mãe, amores insubstituíveis, sabe como é.

E não é algo raro, que aconteça aqui ou acolá. Perder é uma experiência quase diária. Perdemos a carteira, o dinheiro, os documentos. Perdemos direitos. Perdemos o latim. Perdemo-nos em argumentos. Perdemo-nos em divagações. Perdemos sangue. Perdemos oportunidades. Perdemos tempo. Perdemos o gosto. Perdemos a esperança. Perdemo-nos, a nós mesmos, simplesmente.

Algumas coisas podem ser reencontradas, refeitas, substituídas, esquecidas, deixadas pra lá. Outras não. Então há perdas que se recuperam em ganhos e algumas perdas que continuam sendo a pior coisa do mundo, dia após dia. Até que o jogo se acaba e uma nova partida inicia...

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3 comentários:

André Luiz Ferrer Domenciano disse...

A perda valoriza o esforço, caminho mais justo para o ganho.

Lilu disse...

Se como disse o Pessoa, "Possuir é perder.", a pior coisa do mundo é o apego. Que o desprendimento nos simplifique e apenas o gosto saudável de perder uns quilinhos nos aquilate.

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Grato, André e Lilu, pelas belas e sábias palavras. :)