terça-feira, 19 de julho de 2016

PARA OS BRAGA DE OLIVEIRA E PARA OS SILVA
>> Clara Braga

Outro dia meus pais vieram falar que assistiram a uma entrevista de uma lutadora na televisão e ela dizia que sofreu por muito tempo por não ouvir da mãe dela que ela a amava. Aparentemente meus pais ficaram sentidos e constataram que eles nunca foram de dizer "eu te amo" pra mim e pro meu irmão, então ficaram se questionando se isso não seria um trauma em nossas vidas.

Consigo imaginar a cena deles falando isso pro meu irmão. A cara dele de "não acredito que esse diálogo está acontecendo", seguida de uma risada e de um ponto final na conversa.

Pra mim não foi diferente, falei logo: "Por favor né, parem com essa frescura!" Mas muita calma nessa hora, ou muita hora nessa calma, não estou falando que a situação da lutadora é frescura. Todos sabemos da importância do amor de uma mãe e da falta que um "eu te amo" pode fazer naqueles momentos mais difíceis. Amor de mãe é algo que todos deveriam ter, seja essa mãe biológica, adotiva, uma vó que é mãe,  uma tia que é mãe ou até uma amiga que é tão próxima e cuida com tanto carinho que parece uma mãe, afinal, o conceito de mãe vai muito, mas muito além do que aquela pessoa que te coloca no mundo. Também fiquei sentida com a história da lutadora. Mas essa não é a situação dos Braga de Oliveira e muito menos dos Silva.

Nessas duas famílias, sair um "eu te amo" é a coisa mais difícil, é assim desde sempre. O que não quer dizer nada, pois apesar de não verbalizar, minha família aguentou 7 anos de apresentações de ballet clássico sem gostar, se enfiaram em locais terríveis para que eu pudesse assistir a shows que eu queria ver, depois se enfiaram em locais ainda mais cheios e apertados para me ver tocar, me levaram para viajar para locais que eu queria, deixaram eu escolher a profissão que eu achava que me faria feliz, me deixaram pedir demissão de emprego que não me fazia feliz e me bancaram até que eu encontrasse outro, fizeram a maior farra quando me formei, me incentivam a estudar sempre, me abraçam quando eu estou triste, me perdoam quando eu sou um poço de indelicadezas, enfim... Como toda família, temos nossos altos e baixos, e se isso não é amor, então não sei mais de nada!

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Um comentário:

Conceicao Belo disse...

Clarinha, você me emocionou.
É isso mesmo, o amor sentido é muito melhor do que o falado, se é que você me entende.
Ainda bem que a sua geração tem muita sensibilidade e inteligência.
Beijos