terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

DIA DO AMIGO >> Clara Braga

O Facebook quase me enganou! Aliás, eu e muitas pessoas ficamos nos perguntando: mas já é dia do amigo de novo? Ou então: tem mais de um dia do amigo por ano agora? Mas não era nada disso, era apenas aniversário dessa ferramenta que nos aproxima de amigos antigos e perdidos, mas que as vezes nos afasta dos que podiam estar mais próximos.

Dei uma olhada no vídeo que me foi sugerido, provavelmente uma escolha de amigos que se baseia na interatividade na própria rede, o que fez com que algumas pessoas ali nem fossem assim tão amigos, mas valeu pelos momentos que foram relembrados. Mas os insatisfeitos tinham a opção de editar e colocar lá as fotos que eram mais significativas.

Se eu tiraria alguma foto ou algum amigo? Talvez. Mas com certeza adicionaria uma pessoa com quem não tenho contato há muito tempo, mas que é muito significativa: a minha primeira melhor amiga!

Já pararam para pensar na importância do primeiro/primeira melhor amiga/amigo? É com o primeiro melhor amigo que começamos a aprender regras básicas de convivência. Aprendemos a dividir quando compartilhamos nossos brinquedos, aprendemos a ajudar quando sentamos pra fazer a tarefa de casa juntos só para descermos mais rápido para brincar, aprendemos a controlar nossa primeira crise de ciúmes quando aparece uma amiga nova para brincar e sentimos nosso posto de melhor amiga sendo ameaçado, até que percebemos que para brincar tem sempre espaço para mais um.

É também com o primeiro melhor amigo que compartilhamos as primeiras broncas. Nunca vou esquecer do dia em que eu e minha melhor amiga trouxemos um filhote de cachorro escondido dentro de uma mochila da chácara dela. O pai dela já tinha avisado: nada de levar cachorro da chácara para casa! Mas ele era tão bonitinho que nem pensamos que estávamos quase matando o cachorro sufocado dentro da mochila. Quando chegamos em casa foi só o tempo de dar uma água para o cachorro, levar uma bronca e voltar para a chácara para deixar o bichinho lá. Pelo menos a viagem de volta foi fora da mochila.

Uma vez levamos bronca do porteiro do prédio também, já que toda data comemorativa a gente gostava de colar mensagens de feliz ano novo ou feliz páscoa com papel e durex na parede branquinha. Tenho certeza de que os vizinhos gostavam.

Enfim, foi com minha primeira melhor amiga que dormi fora de casa pela primeira vez. Mesmo sendo na casa dela, e ela sendo minha vizinha de porta, parecia que eu estava em uma super-aventura de gente grande. Foi com ela que fui ao shopping sem meus pais para assistir a um filme que era proibido para a nossa idade e ainda jogamos pipoca na cabeça das pessoas que estavam sentadas na frente. Foi com ela que gritei até não poder mais naqueles brinquedos super-radicais dos parques de diversões, que andei de cavalo, que chupei cana de açúcar, que andei de patins e de bicicleta, que joguei jogo de tabuleiro, que inventei muitas histórias brincando de Barbie e mais um monte de coisas que não caberiam em um crônica só, mas o mais importante é que é com a primeira melhor amiga que a gente aprende a ser amiga, e essa é uma das lições mais importantes da vida.

Hoje em dia não tenho mais contato com a minha primeira BFF, mas às vezes acompanho suas fotos no Facebook e vi que o tempo passou mesmo, ela já é mãe! Quem diria, parece que faz tão pouco tempo que estávamos brincando no bate-bate e comendo promoção do McDonalds por 5 reais apenas.

O Facebook não teria como saber, mas essas sim são lembranças que não devem ser esquecidas, afinal as que hoje estão registradas lá só foram possíveis por causa dessas que estão registradas em fotos antigas em algum álbum perdido por aí e, claro, na minha memória, que pode ser ruim para muitas coisas, mas essas lembranças não teriam como serem esquecidas!

Partilhar

2 comentários:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Que beleza de crônica, Clara!
Partindo de um episódio do presente e indo fundo na memória. Boa demais!

Rafael Vespasiano disse...

para mim, tua melhor crônica, Clara Braga​, de muitas que eu li! parabéns, o tema mnemônico será assunto do meu mestrado, portanto, tocou fundo no coração deste teu amigo alagoano e rude, às vezes, parece que quero imitar Graciliano e espanto todo mundo, mas, saiba para mim, tu és a cronista das cronistas! a crônica está belíssima!