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CAPITAIS >> Sergio Geia

O assunto passa léguas de distância das grandes capitais do mundo. Não vou falar sobre São Paulo, Rio, Porto Alegre, BH; ou Paris, Madri, Roma, Londres. Estou interessado em outro tipo de capital.

Dizem que Novo Hamburgo é a capital nacional do calçado. Sua economia nasceu e se desenvolveu em torno dessa modalidade de indústria, sendo que todos os anos a cidade sedia duas importantes feiras do segmento: a FENAC — Feira Internacional do Calçado, e a FIMEC — Feira Internacional de Máquinas para Curtumes, Couros, Componentes para Calçados e Acessórios. É o maior polo calçadista do país. Até museu sobre o assunto tem: o Museu Nacional do Calçado.

Dizem que Jaú é a capital nacional do calçado feminino, que Franca é a capital nacional do calçado masculino, e que Birigui é a capital nacional do calçado infantil.

Do calçado pros vinhos. Dizem que Bento Gonçalves é a capital nacional do vinho. Segundo reportagem do portal UOL, você encontra em Bento Gonçalves um museu dedicado à bebida, degustações sensoriais com tons lúdicos, piquenique entre parreirais (com direito a edredom e almofadas espalhadas sob pés de Niágara Rosada), cantoria italiana acompanhada de passeio de trator e até uma igreja construída com vinho.

Há outras capitais interessantes. Dizem que Inconfidentes é a capital nacional do crochê; que Piranguinho é a capital nacional do pé-de-moleque; que Botucatu é a capital nacional do saci; que Cunha é a capital nacional do fusca; que Saquarema é a capital nacional do surf; que Ituporanga é a capital nacional da cebola; que Itabaiana é a capital nacional do caminhão; que Nova Venécia é a capital nacional do granito; que Mirabela é a capital nacional da carne de sol; que Salinas é a capital nacional da cachaça; que Passo Fundo é a capital nacional da literatura; e que Taubaté véia de guerra é a capital nacional da literatura infantil, por ter nascido aqui o Lobatão, criador do Sítio do Picapau Amarelo.

Mais eis, meus queridos, que nesse dia sufocante de janeiro, me deparo com a seguinte notícia: “Desde a década de 1980, a cidade de Cabrália Paulista, a 363 quilômetros de São Paulo, se especializa na fabricação de urnas funerárias. Caixões saem dali para todos os Estados brasileiros e, inclusive, para a África; mais especificamente, Angola. Por conta disso, a alcunha de "capital brasileira dos caixões" é levada com orgulho pela maioria dos moradores que dependem da indústria”. Mais abaixo, a notícia reproduz a fala de um proprietário de uma das indústrias de caixão do município, que diz que há caixões para todos os gostos, para católicos, israelitas, umbandistas e maçons. Inclusive, de times de futebol. O do Corinthians é o que mais sai.

Meus amigos da Fiel — eu tenho alguns —, ao lerem a notícia, vão se interessar pelo negócio. Quer coisa mais mimosa que deixar este mundão dentro de um caixão personalizado com as cores do Curintcha?

Comentários

Sergio, só faltou dizer qual a capital da crônica. :)
sergio geia disse…
No mundo digital: Crônica do Dia! rsrs

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