sábado, 3 de janeiro de 2015

TROVÕES DESTA MANHÃ ≥≥ Cristiana Moura

A partir do momento agora, eu tenho medo de trovões derrubando os céus sobre mim. Nessa Fortaleza de ir já já à praia , se fez tempestade na manhã molhada e cinza. Tudo treme. Os trovões explodem como os sentimentos secretos que por vezes implodem em mim. Acho que é coisa de quando o amor é quase de verdade.

É música incomum aos ouvidos essa chuva toda.  Se fosse noite, eu queria uma sopa bem quente daquelas que descem afagando o corpo por dentro. Às vezes um choro fica preso, não sai — coisa de tristeza inesperada que não se aceita. Aí logo vem esse monte de chuva, aos gritos graves, quase ordenando: Chore!

É música rara aos ouvidos essa chuva toda. Se fosse junto com o Sol eu estaria procurando arco-íris no céu. Arco-íris são ladrões de sorrisos. É uma alegria inocente que me dá quando estes sorrisos me são roubados. Gosto.

Dei-me conta , bem neste instante, que só em pensar no arco-íris eu sorri. E sorri de novo com a imagem colorida na mente enquanto escrevo. E mais um sorriso enquanto releio. Vou escolher melhor meus pensamentos e coar um café.


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