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BEM-VINDOS À SELVA DA MÚSICA CLÁSSICA!
>> Carla Dias >>


Eu não sou conhecedora do universo da música clássica. Nunca conversei com um maestro como já conversei com muitos artistas, querendo saber como, quando... Por quê?

A questão é que eu adoro música. Em todas as áreas da minha vida ela está presente. Sendo assim, acabo lendo livros a respeito, assistindo a filmes nos quais ela também é personagem, e até séries de tevê, como o caso de Nashville, que relutei em conferir, mas ainda bem que o fiz, porque é uma ótima série sobre o cenário da música country.

Em dezembro de 2014, estreou mais uma série com músicos como tema. Ou seria a música? Na verdade, isso não importa, porque em terreno da arte os artistas se misturam às suas obras.

Baseada no livro homônimo da oboísta Blair Tindall, Mozart in the Jungle aborda os bastidores das orquestras e principalmente da vida dos seus maestros. O humor faz parte do tom da trama, mas isso não incute a ela qualquer leveza. O humor, quase sempre é ácido, é ferramenta poderosa para manter o espectador ansioso pelo próximo episódio.

A série também trata do conflito entre gerações, tema recorrente nessa vida da gente, em qualquer área. Um maestro de longa carreira, e reconhecidamente dos mais talentosos, entrega a batuta a um maestro mais jovem, completamente a contragosto. O choque entre a visão musical do mais tradicional com o mais apaixonado rende ótimas cenas entre dois grandes atores: Malcolm McDowell (Thomas) e Gael García Bernal (Rodrigo). Além disso, o efeito dessa mudança no comportamento e na execução musical dos integrantes da orquestra é muito interessante.


Particularmente, entusiasmei-me a assistir Mozart in the Jungle não somente pelo tema, mas também porque aprecio profundamente os atores envolvidos no projeto. McDowell tem participado de várias séries, entre elas The Mentalist e Frank & Bash, além de ser presença constante – e marcante - no cinema. E devo confessar que não consigo deixar de achá-lo fantástico em Laranja Mecânica (A Clockwork Orange/1970). Bernal é ótimo ator, que conheci por meio do filme O Crime do Padre Amaro (El crimen del padre Amaro/2002). Depois disso, venho acompanhando a carreira dele. Gabriel García Bernal permite que seu maestro Rodrigo seja extremamente sedutor, porque para ele a música vem primeiro, e ele a reconhece em todos os lugares.

O que eu não imaginava era que juntos eles seriam espetaculares.


Mozart in the Jungle é uma daquelas séries que nos levam a rir das mazelas humanas. Das grandes festas para arrecadação de fundos, passando pela disparidade de personalidade entre os maestros, suas guerras particulares e admiração inconfessável, a paixão pela música e a rotina da burocracia que envolve manter uma orquestra, as distrações que afastam do que realmente importa, ou seja, a música, chegando ao slogan da própria série: sexo, drogas e música clássica.

Mozart in the Jungle é uma série original do Amazon, com dez capítulos na primeira temporada. Clique aqui para mais informações.



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