sábado, 17 de janeiro de 2015

SOBRE MÃES E INTUIÇÕES >> Cristiana Moura

— Eu vou ficar em casa, você pode ir no carro.
— Não, eu não quero ir de carro.
— Por quê?
— Não quero ir de carro.
— Por quê?

— Tá, tá... eu vou de carro!

 Mais tarde, cada qual no seu quarto, por mensagens:

— Mas pq mesmo vc não queria ir de carro?
— Só não queria. Pq?
— Paranoia materna.
— kkkkkkkk
— Sei lá, de repente era a sua intuição, a sua sabedoria interior dizendo para vc não dirigir mais hj. E um acidente está sendo evitado pela intuição masculina.
— Meu Deus!
— Como eu disse, paranoia materna.
— kkkkkkkk. Quer saber? Vou ficar em casa. Não! Pera! Não!
— Fica em casa e a gente vai jantar, à pé, na padaria. Só pra garantir.
— Poxa, ok.
—kkkkkkk
— Acabei de perder toda a confiança em mim.
— Não era a intenção.
— Eu sei.

Esta conversa escrita, separada por uma parede e duas portas se finda quando Gabriel adentra meu quarto com seu violão. Toca, canta e suas melodias vão desfazendo os maus presságios.

Ele tocou e cantamos até anoitecer. Depois fomos jantar juntos, à pé, na padaria.



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2 comentários:

Zoraya disse...

Que lindo, Cris! A música espanta mesmo os maus presságios e os maus espíritos!

Cristiana Moura disse...

Que nossos escritos também afastem os maus espíritos, Zoraya!