sábado, 16 de agosto de 2014

QUANDO O INFINITO CABE NO COLO
(para Luís Eduardo)
>> Cristiana Moura

Ele chegou nesta quinta-feira. Na verdade, já havia chegado. Já era vida vivendo em amor aquático. Ele era ele. Ele era ela. Para nós, do lado terrestre da vida, eram ainda faíscas de amor no corpo e olhar de Fabiana. E, num esperado repente, o pequenino começa a ser, sem pressa, só ele. Seu nome ganha rosto, corpo e sons em altos choros que nos dizem: podem chegar, podem se aproximar.

Luís Eduardo, nome de origem germânica, quer dizer combatente glorioso e guardião das bênçãos. Que seja abençoada esta tão bem-vinda vida. Adentra nossos cotidianos que aqui, para você, é só amor.

Talvez este texto fique clichê, enfim, quem não se emociona diante de um bebê? Eu estou assim, boba em sua presença. Já não tenho poder sobre isto. Vê-lo ali, tão miúdo, agarrado com toda força aos seios fartos de minha irmã, faz borbulhar por dentro uma comoção inominável. Vê-lo ali, embalado nos braços tranquilos de seu pai me dá uma sensação de certeza e leveza nem sei direito do que, mas é vida sendo vivida.

Quando está em meu colo, o tempo para. O ar das nossas respirações vira melodia embalando o sono em cadeira de balanço. Revivo o meu tempo de maternagem por vinte e quatro horas do dia e sinto-me tão abençoada quanto Luís Eduardo, por levar comigo uma coleção de boas memórias. E, também, por cada novo encontro que acontece agora e pelos que estão por vir.

Ser tia tem um algo por dentro muito parecido com o de ser mãe. Eu não sabia que não era preciso parir para sentir em mim toda a força do mundo capaz de cuidar de um ser pequenino. A força de um bicho caso ele precise de defesa. Um punhado de emoções de onde me escapolem lágrimas de encontro, cuidado e amor. Na nossa família é assim: todos cuidando de todos. Sou grata por tanto amor desvelado entre nós.

Seja bem vindo, Luís Eduardo. Que o olhar e o canto da sua mãe o aconcheguem agora. Que os sons dos violões do seu pai, irmãos e primo lhe embalem o sono e o façam cantar e dançar. São cinco e meia da manhã e o Sol faz nascer mais um dia desta vida bela. Mas vou logo lhe dizendo que beleza a gente tem que aprender a ver. Há de juntar o olhar ao pulsar para assim descortinar o belo dos raios de Sol adentrando a varanda enquanto que, ao som dos automóveis, se mistura o canto dos pássaros. É assim, menino, cheio de entrelinhas encantadas, este dia a dia que você começa a conhecer.



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4 comentários:

sergio geia disse...

Mais uma de arrebentar, Cristiana! E viva o Luís Eduardo! E viva a vida!

Cristiana Moura disse...

Obrigada, Sérgio! E viva a vida!

Anônimo disse...

Eita tia babona !!! Lindo. Parabéns pelo filhote novo.

Beijos Pri

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Que recepção! :)
Bem-vindo, Luis Eduardo.