terça-feira, 12 de agosto de 2014

AOS GÊNIOS >> Clara Braga

Dei aquela olhadinha rápida no Facebook e fui tomar um banho. É bem verdade que eu não sou de tomar banho muito rápido, mas dessa vez parecia que eu tinha levado uma eternidade. Quando voltei, meu Facebook estava inteiramente tomado pelas notícias e pelos pêsames pela morte de Robin Williams.

Acho muito legal ver quando um artista consegue de fato tocar as pessoas de uma forma tão profunda que a gente acaba se sentindo um pouco íntimo dele. Com certeza Robin Williams foi um desses, pois os comentários são unânimes, uma grande perda. E então nos pegamos parando por alguns segundos em meio a essas nossas vidas extremamente atribuladas para desejar que ele vá em paz e que os que ficam possam ter forças para encarar essa situação tão pesada. No mínimo irônico, justo uma pessoa tão lembrada por nos fazer rir e trazer leveza para dias pesados, partindo em uma circunstância nada confortável.

O pior é que essa situação não tem sido nada incomum. Lembro das diversas vezes em que estava assistindo ao jornal e acabei comentando sobre o fato de eu achar que Deus às vezes sai para tomar um café e perde o controle de alguma situação. Nunca vi ninguém no jornal comentando a morte de alguém e falando: "ele era péssimo, não valia nada, nunca ajudou ninguém". Sempre ouvimos algo como: "ele era uma pessoa maravilhosa, só fazia o bem para todo mundo, fazia caridade, tinha um trabalho social maravilhoso, vivia pelos filhos" etc. E a gente fica do lado de cá se perguntando: será que é castigo morar na Terra? Porque os bons, Deus está levando.

Recentemente também nos despedimos de Ariano Suassuna e João Ubaldo Ribeiro, só comprovando a teoria do café. Isso sem contar o avião que foi derrubado junto com uma possível cura para a Aids e todos os anônimos que não são manchete de jornal, mas até deveriam ser. Os números são assustadores, diariamente morrem várias e várias pessoas que parecem que nasceram para fazer o bem. E para trás ficam as pessoas que tiveram a oportunidade de desfrutar das benfeitorias dos que partiram. 

O importante é que não deixemos que o legado dessas pessoas parta com elas, que sirvam de exemplo para a gente, e que nós possamos parar mais e mais vezes para desejar que todos aqueles que partiram, sejam Robins, Arianos ou Pedros, sigam em paz, e para todos os que ficam, sejam famosos ou não, que tenham força. Vibrações positivas são um dos maiores presentes que podemos dar aos outros e, o melhor, é de graça!

Hoje, peço licença para imitar a homenagem mais bonita das várias que vi para o Robin Williams, mas passo ela para o plural: "Gênios, vocês estão livres! Que descansem em paz!"


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