terça-feira, 19 de agosto de 2014

ALGUÉM CHAMA O MÁGICO DE OZ >> Clara Braga

É, agora é mais do que inegável, as redes sociais definitivamente modificaram a forma das pessoas se relacionar. Mas o problema maior nem é esse, uma mudança ou outra é até importante, o problema mesmo é que a mudança tem sido para muito pior. Quando o assunto é rede social, a imagem que me vem à cabeça é da educação saindo para fumar um cigarro e nunca mais voltando.

Parece que estamos virando um monte de homens de lata e, agora, pra voltar a ter um coração, só mesmo o Mágico de OZ. É impressionante como as pessoas não se afetam pela dor do outro. Acho que o distanciamento entre as pessoas, que a tecnologia acabou causando, fez com que as pessoas se vissem tão distantes da realidade dos outros que não conseguem se colocar no lugar delas, acham que o que acontece com o outro jamais aconteceria com ele.

Da morte do Robin Williams até a tragédia que matou Eduardo Campos, é inaceitável a quantidade de piadas e comentários maldosos que eu já vi. Tem frieza para todos os gostos, dos extremamente desinformados, que acham que o ator foi covarde e que a depressão é apenas uma preguiça de sair da cama, até os sem-noção que foram ao enterro do candidato tirar uma selfie. Que a educação tinha ido dar uma volta eu já sabia, mas que ela tinha levado o respeito, a noção, a compaixão e outros tantos, isso eu ainda tinha esperança de que não tivesse acontecido.

Não acho legal também as pessoas que exageram para o outro lado. Acho que o sofrimento extremo por alguém com quem você não tinha a menor ligação não faz muito sentido. Também uma consequência da vida através do computador, algumas pessoas sofrem mesmo de carência aguda. Mas, ainda assim, acho esse caso menos mal que o primeiro, afinal não acho que possa ser normal situações como essas que aconteceram não mexerem com a gente de forma alguma.

Acredito que esses casos deveriam servir para que a gente refletisse sobre o quão frágil nós somos. É aquele bom e velho ditado que, apesar de duro, é muito real: "para morrer, basta estar vivo"… E pior do que perder alguém de forma repentina é ficar com a sensação de que você talvez não tenha dito tudo o que queria para a pessoa que se foi, ou demonstrado o quanto gostava dela da forma que ela merecia. Ou seja, esses casos, antes de virarem piada, deveriam fazer com que a gente saísse da frente do computador e fosse pra perto daqueles que fazem falta.


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Um comentário:

horus artefinal disse...

Muito certo você está de parabéns conseguiu me roubar as palavras,palmas para você.