Pular para o conteúdo principal

NÃO DÁ PARA EVITAR >> Clara Braga


Vocês já repararam que é quase impossível passar um dia inteiro sem ouvir uma música que seja? Tá, talvez uma música inteira seja até bem possível, mas sem ouvir pelo menos partes de uma música é quase impossível. 

Se você entra no carro, logo liga o som. Tudo bem, você pode ligar o rádio para ouvir suas notícias, mas aquele cara do carro do lado não quer nem saber se você está prestando atenção nas notícias ou não, ele para bem do seu lado no sinal, abre os vidros e compartilha em alto (bem alto) e bom som aquela música que ele está ouvindo, e ainda acompanha cantando aos berros (quem nunca fez isso deveria experimentar, é uma experiência quase terapêutica). Nesse momento, lá está você ouvindo uma musiquinha de tabela.

Tudo bem, ai você pode dizer que fecha os vidros do seu carro, liga o ar condicionado e aumenta o seu som, para não ter que ouvir aquela música horrível que o sem noção do lado está ouvindo sem perceber que está atrapalhando o seu momento de se atualizar. Mas minutos depois você chega no seu local de trabalho e pega o elevador, que está sintonizado quase sempre em rádios como Antena Um. Essa é outra experiência super recomendável, sempre toca aquelas músicas que todo mundo finge que não gosta, mas que sabe a letra todinha, tipo I will alway love you ou Always, vai negar que já cantou essas músicas? Pode ter certeza que nesse momento, dentro do elevador, todos estão se contendo calados, morrendo de vontade de cantar e, dentro do sapato, os dedinhos do pé estão batendo no ritmo da música!

Ai você vai me dizer que é uma pessoa fitness e não usa elevador, apenas escadas. Ainda assim, não adianta, em algum momento você vai passear com o cachorro e vai passar por alguém que está com o ipod tão alto que até você consegue ouvir a música, ou o seu vizinho vai treinar aquela música na guitarra ou no saxofone, ou então você liga a televisão e se depara com o clip daquela música que você adora, ou então você vai ao dentista e fica na sala de espera ouvindo aquelas músicas de relaxamento que disfarçam o barulho daquele maldito motor que mais parece que estão torturando o paciente.

Não adianta, eu poderia passar um bom tempo aqui apenas relatando situações nas quais você vai acabar ouvindo uma música, ou poderia ir mais distante ainda e falar que nem aqueles professores de música apaixonados pela profissão que dizem que tudo é música, o canto dos pássaros, o barulho dos carros e etc. A verdade é que na vida sempre tem aquelas coisas das quais a gente não consegue fugir ou evitar e, graças a Deus, uma delas é a música!

Comentários

Que lindo Clara! Eu nunca tinha pensado nisso, mas realmente a música está em todo lugar... Ainda bem, afinal é um bom hábito!

Bjs, Isabela.
www.universodosleitores.com

Postagens mais visitadas deste blog

MÃE – A MINHA, A SUA, TODAS
[Debora Bottcher]

Pessoalmente, não gosto de escrever sobre ‘datas especiais’ porque sempre me pergunto quem foi que inventou esses ‘dias de’ e baseado em que. É que apesar de eventuais evidências, eu me recuso a crer que essa ‘mágica’ idéia resiste ao tempo, à modernidade, às novas gerações, fincada apenas no foco de atiçar as vendas do quase-sempre-em-crise mercado comercial – digo ‘quase’ porque todas as vezes que vou ao shopping, em qualquer dia da semana, assombro-me com o movimento constante. Daí não tenho certeza de entender bem a base dos números e imagino sempre que é porque as estimativas são ousadas e otimistas demais, muito acima do poder aquisitivo da população média.
Seja como for, se me proponho a abordar o tema do momento – o ‘Dia das Mães’ - prefiro direcioná-lo à figura materna diretamente, para quem, certamente, tal dia é apenas uma vírgula no traçado de sua (árdua) trajetória. Não sou Mãe – que fique claro; portanto, para dedilhar (vagamente) sobre elas, vou me basear na minha, nas m…

À DISTÂNCIA (Paula Pimenta)

E se quiser recordar daquele nosso namoro
Quando eu ia viajar você caía no choro Eu chorando pela estrada Mas o que eu posso fazer Trabalhar é minha sina Eu gosto mesmo é d'ocê...
(Vital Farias)

Quem nunca namorou de longe, não vai conseguir entender metade do que eu vou escrever nessa crônica, porque só quem já passou por essa experiência sabe o quanto ela é difícil. Mesmo assim vou tentar explicar, para todas as vezes que vocês se depararem com alguém reclamando da ausência do namorado, não começarem com as manjadas frases que não fazem nada pela pessoa solitária: “Ah, mas pelo menos quando vocês se encontram tudo é festa, nem tem tempo pra brigar.” Ou: “O tempo está passando rapidinho, logo o próximo feriado chega.” Ou ainda: “É bom que no período que ele está longe você pode curtir com os amigos.”

Só quem namora à distância sabe o quanto essas frases são mentirosas. O tempo não está passando rapidinho, pode até passar pra quem está com o namorado do lado, podendo ir com ele ao cinema …

EU ESTOU BEM >> Sergio Geia

Digamos que foi um susto. No último dia 11, eu voltava de Jacareí sentido Taubaté, seguia o fluxo normalmente quando no km 156 da Via Dutra, bem em frente ao posto de guarda, em São José dos Campos, os carros à minha frente — como em Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva —, simplesmente congelaram. De 80 km, naquele trecho, para zero, em fração de segundo. Não tive tempo de rezar (ah, como eu queria!), nem sequer olhar pelo retrovisor, descobrir se havia ou não uma carreta atrás de mim. Quando a ficha caiu, pisei fundo no freio, consegui não atingir o veículo à minha frente, mas, também, só por outra fração de segundo. De repente, uma sensação esquisita: eu senti a estocada, os objetos que estavam em cima do banco do carona voaram, logo meu veículo era arrastado até atingir o da frente.

Desci. Os motoristas dos outros quatro carros desceram, todos confusos, querendo entender. Os três primeiros carros, incluindo o meu, pequenos danos materiais, levíssimos diante do susto. O penúltimo e o …