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A ARTE DE FICAR À TOA >> Sílvia Tibo


Acordei sem inspiração alguma para a crônica de hoje. Talvez porque a semana tenha sido atribulada, o que significa que estive imersa em um milhão de coisas pra resolver e de obrigações a cumprir.  

Sempre que isso acontece, o resultado é o mesmo: as palavras desaparecem da minha mente e é um custo trazê-las de volta ao lugar de onde escapuliram.  

Por sorte, este foi um domingo leve. Desses em que não há nada pré-agendado. Como, aliás, deve ser um domingo verdadeiro e que se preze. 

Houve um tempo em que os domingos eram dias terríveis pra mim. Ao contrário de todo mundo, torcia para que eles não chegassem e, da mesma forma, vibrava assim que ouvia a despedida do Fantástico. 

É que, nessa época, meus domingos, na verdade, nada mais eram do que segundas ou terças-feiras disfarçadas. Como os demais dias da semana eram insuficientes para que eu cumprisse as mil e uma atividades a que eu havia me obrigado, o domingo era sempre o último dia que restava para concluir um trabalho da faculdade ou terminar a leitura do último capítulo de um livro jurídico essencial para que eu fosse bem num concurso que faria no mês seguinte, por exemplo. Isso quando ele não era integralmente consumido em aulas e aulas de cursinhos preparatórios. 

A partir de quando decidi fazer apenas aquilo que está ao alcance das minhas energias e reais aspirações (e, também, dos dias da semana), os domingos passaram a ser cada vez mais esperados, até se tornarem verdadeiros dias de descanso, cumprindo exatamente o papel que alguém um dia lhes conferiu. 

Desde então, tenho aproveitado cada minuto de cada domingo, para fazer exatamente (e apenas) aquilo que me dá vontade, a meu modo e no meu tempo. O que, em muitos casos, significa passar horas e horas em casa, sem fazer absolutamente nada. E como é bom não fazer nada, depois de uma semana em que se fez um pouco de tudo. 

Num mundo movido pela pressa, momentos de desaceleração são preciosos e essenciais. Aliás, desocupação nem sempre é sinônimo de preguiça. No final das contas, tinha razão o velho e conhecido pensador: são os ociosos que transformam o mundo, já que os outros não tem tempo algum. 

Comentários

Acho que a graça é fazer o que estamos com vontade no dia, não ter um compromisso pré definido... Nossa, é bom demais... Adorei o texto!

Bjs, Isabela.
www.universodosleitores.com
Acho que a graça é fazer o que estamos com vontade no dia, não ter um compromisso pré definido... Nossa, é bom demais... Adorei o texto!

Bjs, Isabela.
www.universodosleitores.com
Zoraya disse…
Silvia, perfeito! Não é mesmo à toa que a Igreja reservou o dia de domingo para o descanso, o repouso. Esse mundo doido nao para nunca, agora o comércio abre todos os dias, os feriados nao sao mais respeitados, e a gente continua correndo sem chegar a lugar algum. E eu AMEI o quadrinho e a frase final, ri muito. O quandrinho, de quem é? Beijos preguiçosossssss

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