Pular para o conteúdo principal

VOCÊ NÃO VAI COM A MINHA CARA? >> Clara Braga

Sempre apreciei uma boa viagem, e para a minha idade, me considero até uma pessoa viajada. Já conheci belíssimos lugares, tanto dentro quanto fora do Brasil, mas sempre soube apreciar o momento de voltar para a minha linda cidade, que é Brasília.

Há um tempo, tinha medo de conhecer São Paulo. Tudo acontece em São Paulo, todos os shows vão para São Paulo, a maioria dos festivais de música acontecem lá, a bienal de arte está lá também, musicais que eu tenho vontade de assistir? Estão lá também! Enfim, é muita coisa que faz a grande cidade me parecer um tanto tentadora. Já fui a São Paulo umas duas ou três vezes, e essas vezes serviram para que eu não tivesse mais medo de nada. Adorei a cidade, e é bem provável que algum dia eu queira ir para lá ficar uma temporada, fazer um curso, quem sabe? Mas morar? Não, morar não dá, se as vezes eu já considero Brasília muito cheia e com um trânsito insuportável, imagine São Paulo! Não ia dar certo...

Outro momento crítico foi quando eu fui passar 5 meses na Austrália, minha família jurava que eu ia conhecer um lindo Australiano e ficaria por lá mesmo. Não só passei os 5 meses sem se quer andar de mãos dadas com alguém, como também morri de saudade da minha família! Amei a Austrália, voltaria lá inúmeras vezes, passaria outros 5 meses, mas morar? Não sei bem explicar o porque, mas acho que não moraria... Talvez seja por causa da quantidade de baratas que tem lá... Vai saber? Mas confesso que sinto muita falta de poder ir a praia todo final de semana.

Enfim... já fiz algumas viagens, mas sempre apreciei o momento de voltar para casa, de estar nessa cidade onde a gente consegue ver o horizonte, onde o céu é mais bonito do que em qualquer outro lugar e, mais importante ainda, onde está a minha família! Mas nos últimos dias tem sido difícil lembrar o porque eu troquei a praia por essa terra sem umidade! Confessa Brasília, você não vai com a minha cara?

Há dias que o meu nariz sangra, que o meu olho coça, que minha garganta arde, que minha voz foi embora e nem se quer manda notícias! Há dias que eu tenho vontade de não fazer nada além de tomar banho, há dias que eu arrumo meu cabelo para ir trabalhar e em questão de minutos ele já está molhado de suor. Há dias que eu bebo garrafas e mais garrafas de água e continuo com sede, há dias que eu não durmo tossindo por ter exagerado do ar condicionado ou porque acordo no meio da noite com o rosto grudando na fronha do travesseiro!

Sério Brasília, isso por acaso é algum tipo de teste? Você quer me testar até o último minuto para ver se é aqui mesmo o lugar onde eu quero morar? Porque se for isso, Brasília, eu tenho um recado para você: pegue leve no seu teste, pois não sei se você se lembra, mas além de você não ter praia, eu ainda não conheci nem Nova York nem Paris!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

MÃE – A MINHA, A SUA, TODAS
[Debora Bottcher]

Pessoalmente, não gosto de escrever sobre ‘datas especiais’ porque sempre me pergunto quem foi que inventou esses ‘dias de’ e baseado em que. É que apesar de eventuais evidências, eu me recuso a crer que essa ‘mágica’ idéia resiste ao tempo, à modernidade, às novas gerações, fincada apenas no foco de atiçar as vendas do quase-sempre-em-crise mercado comercial – digo ‘quase’ porque todas as vezes que vou ao shopping, em qualquer dia da semana, assombro-me com o movimento constante. Daí não tenho certeza de entender bem a base dos números e imagino sempre que é porque as estimativas são ousadas e otimistas demais, muito acima do poder aquisitivo da população média.
Seja como for, se me proponho a abordar o tema do momento – o ‘Dia das Mães’ - prefiro direcioná-lo à figura materna diretamente, para quem, certamente, tal dia é apenas uma vírgula no traçado de sua (árdua) trajetória. Não sou Mãe – que fique claro; portanto, para dedilhar (vagamente) sobre elas, vou me basear na minha, nas m…

EU ESTOU BEM >> Sergio Geia

Digamos que foi um susto. No último dia 11, eu voltava de Jacareí sentido Taubaté, seguia o fluxo normalmente quando no km 156 da Via Dutra, bem em frente ao posto de guarda, em São José dos Campos, os carros à minha frente — como em Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva —, simplesmente congelaram. De 80 km, naquele trecho, para zero, em fração de segundo. Não tive tempo de rezar (ah, como eu queria!), nem sequer olhar pelo retrovisor, descobrir se havia ou não uma carreta atrás de mim. Quando a ficha caiu, pisei fundo no freio, consegui não atingir o veículo à minha frente, mas, também, só por outra fração de segundo. De repente, uma sensação esquisita: eu senti a estocada, os objetos que estavam em cima do banco do carona voaram, logo meu veículo era arrastado até atingir o da frente.

Desci. Os motoristas dos outros quatro carros desceram, todos confusos, querendo entender. Os três primeiros carros, incluindo o meu, pequenos danos materiais, levíssimos diante do susto. O penúltimo e o …

À DISTÂNCIA (Paula Pimenta)

E se quiser recordar daquele nosso namoro
Quando eu ia viajar você caía no choro Eu chorando pela estrada Mas o que eu posso fazer Trabalhar é minha sina Eu gosto mesmo é d'ocê...
(Vital Farias)

Quem nunca namorou de longe, não vai conseguir entender metade do que eu vou escrever nessa crônica, porque só quem já passou por essa experiência sabe o quanto ela é difícil. Mesmo assim vou tentar explicar, para todas as vezes que vocês se depararem com alguém reclamando da ausência do namorado, não começarem com as manjadas frases que não fazem nada pela pessoa solitária: “Ah, mas pelo menos quando vocês se encontram tudo é festa, nem tem tempo pra brigar.” Ou: “O tempo está passando rapidinho, logo o próximo feriado chega.” Ou ainda: “É bom que no período que ele está longe você pode curtir com os amigos.”

Só quem namora à distância sabe o quanto essas frases são mentirosas. O tempo não está passando rapidinho, pode até passar pra quem está com o namorado do lado, podendo ir com ele ao cinema …