quarta-feira, 25 de maio de 2011

VER E PROVAR >> Carla Dias >>

No dia de hoje, vou condecorar pequenos feitos quase invisíveis às almas distraídas, porém tão importantes para o acontecimento que é a vida, feito frestas cuspindo luz, respingando esperanças na tela virgem da escuridão.

E mesmo que ande por aí apalpando impossibilidades, hoje eu vou mergulhar em mim, mas de um jeito inédito, sem procurar pelo fôlego ao primeiro susto. Vou até o fundo de mim, tocarei meu chão, expandirei a compreensão que o mantém sendo quintal onde descanso e repenso os incômodos, até que eles partam de vez.

E ao voltar à superfície de mim, prometo tratar com mais delicadeza a nossa existência: a minha, a sua, a dos outros. E enxergarei além, minha voz dirá sentimentos sem a rede de proteção da omissão.

Para amanhã, programei algumas mudanças: janelas escancaradas, portas abertas, horizontes dependurados no olhar, andar de mãos dadas com o desapego, porque aquele sonho nunca foi sonho, mas sim prisão, já que desaconteceu, antes de sequer dar-se ao gosto do acontecimento. E vou encarar o reflexo de mim no espelho da desconstrução. E que a reconstrução seja passível de melhorias.

Quem puder que suma do mapa, ainda que por alguns minutos, durante o dia. Abandone as senhas, deixe de lado os provedores e as dezenas de ligações aos SAC disso e daquilo outro. Sabe como diz a canção? “Era dia de feira/Era dia de ver e de provar/Era dia de estrelas no olhar”.

Dia de provocar o riso, confundir noite com dia, porque tem lua no céu claro. De concluir projetos, como aquele engavetado por anos, que inclui, entre tantos tópicos de importância gritada pela logística e pelas estatísticas, um dos que mais nos apetece: confundir-se, vez ou outra, com a felicidade.

Que o experimento seja capaz de nos levar além, e nos permita conhecer novos sabores, como o das tardes em que nos dedicamos a observar o que, em dias do diariamente, sequer percebemos.

Ver e provar.

Dia de Estrelas
Kléber Albuquerque & Élio Camalle




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8 comentários:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Carla, por vezes suas palavras me dão a impressão de que existe mesmo um mundo invisível, paralelo ao nosso, onde acontecem essas coisas que você vê, prova e conta.

Marilza disse...

Carla, me encanto com seus escritos. Tudo parece tão plausível e possível....vou tentar o desapego, começar a pensar nos projetos inconclusivos e nos sonhos nao realizados.

Marisa Nascimento disse...

Carla, ler você me faz esquecer, momentaneamente, este mundo cheio de realidade. E esse momentâneo me enche de vida! Obrigada.

Claudia Letti disse...

*suspiro*

fernanda disse...

Suas palavras são um mergulho em nós. E já nem precisamos de fôlego...lindo!

albir disse...

Carla,
eu poderia ler isso todos os dias. Mas acho que ainda é pouco. Melhor beber, respirar e tatuar esse texto. Beijo.

aparecida orozco Corrêa disse...

Carla, coincidentemente, ao ler seu texto , pensei em uma pessoa que também é Carla. Ela esta precisando se olhar no "espelho da desconstrução" e que esta seja "passível de melhorias".
Fiz uma reunião de falas do seu texto e publiquei no Face.
É um belíssimo texto. parabéns!

Carla Dias disse...

Eduardo... Não sei para as outras pessoas, mas para mim a vida seria bege não fosse a existência desse mundo que provo e conto.

Marilza... Acredite, para mim essas possibilidades fazem sentido. Às vezes, precisamos olhar a vida com os olhos da imaginação para compreendermos o que ela nos oferece.

Marisa... Fico feliz em saber que o tempo com as minhas palavras têm esse efeito tão positivo em você. Eu que agradeço : )

Claudia... *suspirado*

Fernanda... Obrigada! Mergulhe sempre que quiser : )

Albir... Obrigada por receber meu texto com tanta gentileza e de tantas formas. Beijo.

Aparecida... Que a sua Carla possa se fortalecer e aproveitar a leveza da vida, logo, logo. Obrigada por ler e compartilhar.