terça-feira, 31 de maio de 2011

COISAS QUE EU NÃO SEI >> Clara Braga

Nunca cheguei a ser uma péssima aluna, mas também nunca estive entre os melhores da sala.

Durante todo o período da escola, cheguei até a ficar de recuperação uma vez, mas nada que não desse para recuperar com uma provinha extra. Mas era raro fechar as matérias com nota máxima.

Hoje em dia, na faculdade, a história se repete. Ainda não reprovei em nenhuma matéria, mas também não fecho os semestres com muitos “SS”. Sempre fico na média.

Ser uma aluna sempre mediana nunca me incomodou muito, mas confesso ter uma pontinha de inveja das pessoas que não precisam passar nem um minuto na frente de um livro estudando para ir muito bem em uma prova. Por que eu tenho que me matar de estudar e mesmo assim às vezes ir mal, enquanto os outros se dão bem sem nem estudar?

Fiquei me fazendo essa pergunta por um bom tempo até descobrir que eu sou disléxica. Muito se explicou, mas a dificuldade continuou. Diminuiu depois dos 6 anos que eu passei na fonoaudióloga, mas, como se sabe, dislexia não tem cura, então o que se pode fazer é aprender a conviver com ela.

Olhando para trás, acredito que eu tenha lidado até bem com essa minha dificuldade. Nem sempre foi assim, mas hoje já consigo achar, inclusive, que se deveria dar mais valor às coisas que não se sabe. Nem sempre saber algo é vantajoso.

Por exemplo, aquele dia que o professor me chamou ao quadro e, mesmo eu pedindo para não ir, ele me fez resolver um problema de matemática na frente da turma toda, eu queria não saber que eu pagaria um mico por não saber nem por onde começar.

Ou aquele dia em que eu cheguei, depois de 5 meses de viagem, morrendo de vontade de encontrar aquela pessoa especial. Eu queria não saber que aquela ao lado dele era sua namorada.

Ou as várias vezes em que minha mãe me disse para não fazer algo e mesmo assim eu fiz. Eu queria não saber que ela tinha razão em me dizer para não fazer.

Ou aquela festa em que eu vi aquele casal de amigos chegando juntos, de mãos dadas, aparentemente muito felizes, eu queria não saber que enquanto ela era louca por ele, ele já não estava mais feliz ao lado dela.

Ou então essa sexta no hospital. Eu queria não saber que aquele sorriso que ele me deu seria o último sorriso dele para mim...

Bom, sabendo das coisas ou não, a única certeza que eu posso ter é de que, por mais difícil que seja, a vida tem que continuar...

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4 comentários:

albir disse...

Clara,
por isso é importante prestar atenção no sorriso, né?. Pode ser o último.

Eduardo Loureiro Jr. disse...

É, Clara, a ignorância pode ser uma bênção.

Anônimo disse...

Oi,
gosto muito das suas crônicas sempre as leio.É muito mais importante errar do q acertar, pois quando erramos contruimos algo novo.

por Hope* disse...

Clara,
sentir vai além do saber...
E você deve ser alguem que sente em demasia! Se não fosse, não causaria arrepios!
Muito bem escrito, muito bem sentido!
Bjoo!