terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

EU GOSTO E PRONTO
>> Felipe Peixoto Braga Netto

Eu gosto de sol, gosto de árvore, eu gosto de cerveja. Não, não há nenhuma relação óbvia entre os três, eu só queria dizer que gosto de cerveja, mas estava com vergonha de dizer assim, dizer só isso, sem outros gostares juntos.


Sempre gostei. Não gosto de outra bebida. Detesto uísque. Não tomo pinga. Tudo bem, a única infidelidade é um vinhozinho. Mas só para acompanhar uma massa ou, às vezes, num jantar romântico. Gosto mesmo é de cerveja.


Na Europa, no verão, toma-se sorvete. Aqui se toma cerveja. Está certo? Não sei. Mas por que não fazer os dois? Toma-se uma cerveja e depois um honesto sorvete. Vivemos no mundo do pluralismo, gente, é preciso aprender a não discriminar. (Ah, falando nisso, também gosto muito de sorvete, tem um perto lá de casa que é ótimo, um dia vamos lá).


É uma bebida que agrega. Talvez pelo fato do álcool da cerveja ser menos agressivo que o das outras bebidas. Quem bebe uísque, vodca, é muito mais solitário que quem bebe cerveja. Não sei, mas acho que as outras potencializam o que é depressivo. A cerveja, ao contrário, agrega, diminui as restrições individuais, a dificuldade de socialização. Claro, desde que sem exageros. Quem perde o chão fica chato e perigoso.


Em Minas, e eu acho isso bonito, as meninas (algumas) também bebem cerveja, também gostam. Claro que só é certo fazer isso comigo, sem minha presença é arriscado, fica perigoso e talvez feio.


É, acho que é só isso que eu tinha a dizer. Quase nada, você viu. Era só uma pequena homenagem lírica à cerveja. Acho até que ela combina com Belo Horizonte. É, combina. De tarde ou de noite, num boteco com mesas na calçada, debaixo de uma árvore gorda, tomando cerveja e pedaços de sol. Ah, é bom, faz bem, não é errado não.


E nessas horas você pode, ninguém proíbe, pensar nela, fazer planos, achar que sua vida será bonita e boa. Pode até ser que não seja. Mas é bom se enganar um pouquinho assim, é um engano inocente, não faz mal a ninguém.

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3 comentários:

Sam Green disse...

Já estava sentindo falta das suas crônicas.
Por onde andou?
Pq sumiu?
Bom ter voltado. Com muito estilo!

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Felipe, até hoje só conheci um bêbado simpático, que se chama, justamente, Felipe. A tirar pela escrita, você bem pode ser o segundo. :)

Anônimo disse...

Obrigado, Sam Green, obrigado, Eduardo, obrigado, amigos leitores.

Puxa, andei pensando em desistir. Ando sem tempo e meio sem cabeça, com outras e chatas preocupações.

Mas o Eduardo, com sua gentileza, deixa a gente meio sem graça de não colaborar.

Obrigado, gente, abraços!

Felipe Peixoto