Pular para o conteúdo principal

MÃES >> Kika Coutinho

De todas as lições que aprendemos quando somos mães, talvez a mais importante delas não tenha relação com o seu próprio filho.

Quando eu voltei da maternidade, assim que cheguei em casa, muito assustada e cansada, chorei. Foi o meu marido quem consolou-me com todo seu amor e carinho.

Aos poucos, ele voltou a trabalhar enquanto eu tentava — muito sofregamente — voltar a viver. Logo no início, mandei um e-mail para uma amiga, já mãe. “Socorro” era o título. Ela não demorou a me ligar e a me acalmar. As amigas que não eram mães ligavam para as que já eram, e eu comecei a receber telefonemas de pessoas estranhas, que eu não conhecia.

A cunhada de uma amiga, mãe de uma pequena menina, apresentou-se para, em seguida, dizer: “Eu sei o que você está sentindo, mas logo vai passar...”.

Numa lista de internet, mulheres que eu nunca vi me escreviam oferecendo-se para vir em casa, explicando com detalhes como massagear o seio para o leite descer, como segurar a bebê para a cólica passar, quais os truques nas horas intermináveis que ela chorasse.

Uma prima de uma prima me escreve diariamente com sugestões de rotinas, horários e possibilidades de atividades que acalmam os bebês, compartilhando da sua história para tornar a minha história mais bonita.

E não são só as dificuldades que nós, mães, compartilhamos. Quando minha bebê sorriu pela primeira vez, eu quis contar a elas; quando minha pequena filha dormiu uma noite toda, vibrei com minhas novas e desconhecidas amigas — algumas das quais eu sequer sei que rosto têm.

É meu marido quem cria comigo a nossa filha, não tenho dúvida disso. Mas é um exército de mulheres, mães, amigas, fortalezas vivas que ensinam-me, todos os dias, a árdua e doce tarefa da maternidade.

A vida tornou-se mais generosa depois que me tornei mãe, não só pelo sorriso iluminado da minha pequena Sofia todas as manhãs, mas pela emoção de ver-me alvo de tamanha generosidade e companheirismo.

Ainda há quem não acredite na amizade verdadeira entre mulheres. Que bobagem! São as mães, meus amigos, que movem esse mundo. Educando suas crias para fazerem do planeta um lugar melhor, e educando-se mutuamente para fazer de suas vidas uma vida com ainda mais sentido e alegria.

Comentários

Cláudia disse…
Kika, bem-vinda ao Clube das Mães. Agora você conhece bem o verdadeiro sentido do "padecer no paraíso". Parabéns pelo excelente texto e um beijo para a Sofia.
Cristiane disse…
Adorei a idéia do Clube das Mães. Você tem razão. (estou aproveitando que hoje consegui comentar ;))

Postagens mais visitadas deste blog

MÃE – A MINHA, A SUA, TODAS
[Debora Bottcher]

Pessoalmente, não gosto de escrever sobre ‘datas especiais’ porque sempre me pergunto quem foi que inventou esses ‘dias de’ e baseado em que. É que apesar de eventuais evidências, eu me recuso a crer que essa ‘mágica’ idéia resiste ao tempo, à modernidade, às novas gerações, fincada apenas no foco de atiçar as vendas do quase-sempre-em-crise mercado comercial – digo ‘quase’ porque todas as vezes que vou ao shopping, em qualquer dia da semana, assombro-me com o movimento constante. Daí não tenho certeza de entender bem a base dos números e imagino sempre que é porque as estimativas são ousadas e otimistas demais, muito acima do poder aquisitivo da população média.
Seja como for, se me proponho a abordar o tema do momento – o ‘Dia das Mães’ - prefiro direcioná-lo à figura materna diretamente, para quem, certamente, tal dia é apenas uma vírgula no traçado de sua (árdua) trajetória. Não sou Mãe – que fique claro; portanto, para dedilhar (vagamente) sobre elas, vou me basear na minha, nas m…

EU ESTOU BEM >> Sergio Geia

Digamos que foi um susto. No último dia 11, eu voltava de Jacareí sentido Taubaté, seguia o fluxo normalmente quando no km 156 da Via Dutra, bem em frente ao posto de guarda, em São José dos Campos, os carros à minha frente — como em Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva —, simplesmente congelaram. De 80 km, naquele trecho, para zero, em fração de segundo. Não tive tempo de rezar (ah, como eu queria!), nem sequer olhar pelo retrovisor, descobrir se havia ou não uma carreta atrás de mim. Quando a ficha caiu, pisei fundo no freio, consegui não atingir o veículo à minha frente, mas, também, só por outra fração de segundo. De repente, uma sensação esquisita: eu senti a estocada, os objetos que estavam em cima do banco do carona voaram, logo meu veículo era arrastado até atingir o da frente.

Desci. Os motoristas dos outros quatro carros desceram, todos confusos, querendo entender. Os três primeiros carros, incluindo o meu, pequenos danos materiais, levíssimos diante do susto. O penúltimo e o …

À DISTÂNCIA (Paula Pimenta)

E se quiser recordar daquele nosso namoro
Quando eu ia viajar você caía no choro Eu chorando pela estrada Mas o que eu posso fazer Trabalhar é minha sina Eu gosto mesmo é d'ocê...
(Vital Farias)

Quem nunca namorou de longe, não vai conseguir entender metade do que eu vou escrever nessa crônica, porque só quem já passou por essa experiência sabe o quanto ela é difícil. Mesmo assim vou tentar explicar, para todas as vezes que vocês se depararem com alguém reclamando da ausência do namorado, não começarem com as manjadas frases que não fazem nada pela pessoa solitária: “Ah, mas pelo menos quando vocês se encontram tudo é festa, nem tem tempo pra brigar.” Ou: “O tempo está passando rapidinho, logo o próximo feriado chega.” Ou ainda: “É bom que no período que ele está longe você pode curtir com os amigos.”

Só quem namora à distância sabe o quanto essas frases são mentirosas. O tempo não está passando rapidinho, pode até passar pra quem está com o namorado do lado, podendo ir com ele ao cinema …