quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

MÃES >> Kika Coutinho

De todas as lições que aprendemos quando somos mães, talvez a mais importante delas não tenha relação com o seu próprio filho.

Quando eu voltei da maternidade, assim que cheguei em casa, muito assustada e cansada, chorei. Foi o meu marido quem consolou-me com todo seu amor e carinho.

Aos poucos, ele voltou a trabalhar enquanto eu tentava — muito sofregamente — voltar a viver. Logo no início, mandei um e-mail para uma amiga, já mãe. “Socorro” era o título. Ela não demorou a me ligar e a me acalmar. As amigas que não eram mães ligavam para as que já eram, e eu comecei a receber telefonemas de pessoas estranhas, que eu não conhecia.

A cunhada de uma amiga, mãe de uma pequena menina, apresentou-se para, em seguida, dizer: “Eu sei o que você está sentindo, mas logo vai passar...”.

Numa lista de internet, mulheres que eu nunca vi me escreviam oferecendo-se para vir em casa, explicando com detalhes como massagear o seio para o leite descer, como segurar a bebê para a cólica passar, quais os truques nas horas intermináveis que ela chorasse.

Uma prima de uma prima me escreve diariamente com sugestões de rotinas, horários e possibilidades de atividades que acalmam os bebês, compartilhando da sua história para tornar a minha história mais bonita.

E não são só as dificuldades que nós, mães, compartilhamos. Quando minha bebê sorriu pela primeira vez, eu quis contar a elas; quando minha pequena filha dormiu uma noite toda, vibrei com minhas novas e desconhecidas amigas — algumas das quais eu sequer sei que rosto têm.

É meu marido quem cria comigo a nossa filha, não tenho dúvida disso. Mas é um exército de mulheres, mães, amigas, fortalezas vivas que ensinam-me, todos os dias, a árdua e doce tarefa da maternidade.

A vida tornou-se mais generosa depois que me tornei mãe, não só pelo sorriso iluminado da minha pequena Sofia todas as manhãs, mas pela emoção de ver-me alvo de tamanha generosidade e companheirismo.

Ainda há quem não acredite na amizade verdadeira entre mulheres. Que bobagem! São as mães, meus amigos, que movem esse mundo. Educando suas crias para fazerem do planeta um lugar melhor, e educando-se mutuamente para fazer de suas vidas uma vida com ainda mais sentido e alegria.

Partilhar

2 comentários:

Cláudia disse...

Kika, bem-vinda ao Clube das Mães. Agora você conhece bem o verdadeiro sentido do "padecer no paraíso". Parabéns pelo excelente texto e um beijo para a Sofia.

Cristiane disse...

Adorei a idéia do Clube das Mães. Você tem razão. (estou aproveitando que hoje consegui comentar ;))